Maia se diz ‘preocupado’ com Anvisa e pede agência fora de disputas políticas

Presidente da Câmara afirma ter 'impressão' de que o órgão 'tende para um lado' na disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (7) à CNN que está “preocupado” com a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na supervisão dos projetos de vacina contra a Covid-19 no país.

Para Maia, a agência “passa a impressão” de “tender para agradar” o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em uma divergência política entre o governo federal e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Hoje e em outros momentos, me deu a impressão e a outras pessoas, que ela tende — não estou dizendo que é interferência do governo, não tenho essa informação — talvez tenda para agradar o governo, até porque as nomeações são a nível federal”, disse Maia, entrevistado pela âncora Monalisa Perrone.

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O presidente da Câmara citou o posicionamento público da Anvisa, que se manifestou após Doria anunciar o início da vacinação em São Paulo, com a vacina chinesa Coronavac, para o dia 25 de janeiro. A Coronavac ainda precisa da aprovação da agência.

“O papel da Anvisa tem me gerado mais preocupação, inclusive hoje a reação da Anvisa à coletiva do governador de São Paulo. Não criamos essas agências ao longo dos últimos anos para que ela sirva a uma disputa política ou para que ela tenda para um lado do jogo político”, argumentou.

Sucessão na Câmara

Na entrevista à CNN, Rodrigo Maia falou sobre um movimento que chamou de “Câmara Livre” e disse que trabalhará para que o seu sucessor seja alguém que “mantenha a Câmara independente”.

Na noite deste domingo (6), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que é constitucional a regra que proíbe presidentes da Câmara e do Senado de disputar a reeleição na mesma legislatura. Isso impede que tanto Maia quanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disputem um novo mandato em fevereiro.

Na visão de Rodrigo Maia, os nomes colocados possuem “uma pauta econômica parecida” e que as divergências ficam por conta da “pauta de costumes”, o que justificaria o interesse de uma “intervenção” do governo Bolsonaro.

O deputado citou, como sendo pautas “de costumes”, a defesa do voto impresso, da flexibilização de armas e da política ambiental.

2022

Rodrigo Maia defendeu o potencial do seu partido, o DEM, para ter um candidato próprio a presidente da República em 2022. O deputado afirmou que quer construir um “consenso” entre grupos da centro-esquerda e da centro-direita para as próximas eleições.

“Eu prefiro, porque acho que tenho maior habilidade para construir consensos, coordenar um grande consenso entre a centro-esquerda e a centro-direita. Nós temos um grande problema para fechar uma aliança entre esses dois campos, que é a agenda econômica. Eu acho que eu sou capaz, aprendi muito à frente da presidência da Câmara e acho que sou capaz de construir dentro desses partidos um grande consenso sobre quais são os nossos compromissos”, disse.

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