Mandei suspender repasses investigados, diz ministro da Educação à CNN

Em entrevista exclusiva, Victor Godoy falou sobre denúncias que envolvem pastores

Da CNN

Ouvir notícia

Em entrevista exclusiva à analista de política da CNN Renata Agostini, o ministro da Educação, Victor Godoy, afirmou que mandou suspender todos os repasses da pasta que estão sendo investigados.

“Na primeira semana, quando assumi como ministro da Educação interino ainda, eu chamei o presidente Marcelo Pontes, do FNDE, e solicitei a ele que fizesse a suspensão de todas aquelas operações de empenho, todos aqueles empenhos, até que as investigações sejam concluídas, para verificar se houve qualquer tipo de irregularidade”, afirmou.

O ministro se referia ao escândalo de corrupção na gestão do ex-ministro Milton Ribeiro.

As autoridades investigam o envolvimento dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos em um esquema de beneficiamento de municípios mediante propina.

“Esses empenhos, nenhum deles teve pagamento. Não teve nenhum centavo de recurso que foi pago para esses municípios”, afirmou Godoy.

Três prefeitos confirmaram à Comissão de Educação (CE) do Senado ter recebido pedido de propina de um dos pastores: Gilberto Braga, de Luís Domingues (MA); José Manoel de Souza, de Boa Esperança do Sul (SP); e Kelton Pinheiro, de Bonfinópolis (GO).

Contexto

As investigações começaram a partir de denúncias do jornal “Folha de S.Paulo” e de reportagens do “O Estado de S. Paulo”, que apontavam o envolvimento de Milton Ribeiro em um esquema de favorecimento a pastores na pasta.

Em uma conversa gravada, o ministro afirma que recebeu um pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL) para que a liberação de verbas fosse direcionada a prefeituras específicas ligadas aos pastores evangélicos – que não possuem cargos no governo federal.

Na gravação, Ribeiro dizia que se tratava de “um pedido especial do presidente da República”. “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, diz o ministro na conversa com prefeitos e outros dois pastores, segundo o jornal.

Ribeiro continua: “Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar.”

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura são citados nos áudios. Segundo o jornal, os religiosos negociavam com prefeituras a liberação de recursos públicos para obras em creches, escolas e compra de equipamentos de tecnologia.

 

*Com informações de Ingrid Oliveira, Neila Guimarães e Giovanna Inoue, da CNN

Mais Recentes da CNN