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    Manifestações de ministro de Israel são inaceitáveis na forma e mentirosas no conteúdo, diz Vieira

    Ministro das Relações Exteriores brasileiro afirmou que a atitude do governo israelense e de sua "antidiplomacia" não refletem o sentimento da população local

    Mauro Vieira afirmou que a maneira como Israel se dirigiu a Lula é algo insólito e revoltante
    Mauro Vieira afirmou que a maneira como Israel se dirigiu a Lula é algo insólito e revoltante Márcio Batista/MRE

    Douglas Portoda CNN

    São Paulo

    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse, nesta terça-feira (20), que as manifestações do governo de Israel sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são inaceitáveis na forma e mentirosas no conteúdo. A fala aconteceu no Rio de Janeiro, local em que acontecem reuniões do G20.

    O chanceler de Israel, Israel Katz, disse na rede social X, antigo Twitter, para Lula que “milhões de judeus em todo o mundo estão à espera do seu pedido de desculpas. Como ousa comparar Israel a Hitler?”

    “Manifestações do titular da chancelaria do governo Netanyahu, de ontem e de hoje, são inaceitáveis na forma, e mentirosas no conteúdo”, afirmou Vieira.

    No domingo último domingo (18), Lula comparou a invasão de Gaza por Israel para revidar o ataque do Hamas ao genocídio dos judeus durante o regime Nazista, o que gerou forte reação do governo israelense, que o declarou pessoal não grata. Mas em nenhum momento o presidente nega o Holocausto.

    Também no X, a conta “Israel”, da chancelaria do país, compartilhou uma publicação com a bandeira do Brasil que questionava “o que vem à sua cabeça quando pensa no Brasil?” e acrescentou o seguinte comentário: “antes ou depois de Lula negar o Holocausto?”

    De acordo com Vieira, “uma chancelaria dirigir-se dessa forma a um chefe de Estado, de um país amigo, o presidente Lula, é algo insólito e revoltante. Uma chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da história da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável”.

    Segundo o ministro brasileiro, a atitude do governo israelense e de sua “antidiplomacia” não refletem o sentimento da população local.

    “O povo israelense não merece essa desonestidade, que não está à altura da história de luta e de coragem do povo judeu. Em mais de 50 anos de carreira, nunca vi algo assim”, citou o chanceler brasileiro.

    Nossa amizade com o povo israelense remonta à formação daquele Estado, e sobreviverá aos ataques do titular da chancelaria de Netanyahu.

    Mauro Vieira

    Para Vieira, o chanceler Israel Katz distorce posições do Brasil para tentar tirar proveito em política doméstica. Entretanto, enquanto Katz ataca o país publicamente, em uma conversa privada com o embaixador brasileiro em Tel Aviv, afirmou ter grande respeito pelos brasileiros e pelo Brasil, que definiu como a mais importante nação da América do Sul.

    “Esse respeito não foi demonstrado nas suas manifestações públicas, pelo contrário”, expressou o chanceler brasileiro.