Manifestações contra o governo Bolsonaro têm baixa adesão

Protestos convocados pelo MBL, Vem Pra Rua e Livres foram articulados em paralelo aos atos de 7 de Setembro, mas não tomaram as ruas das principais cidades do país

Rafaela LaraGiovanna GalvaniAndré Luiz Rosada CNN*

em São Paulo

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Os protestos contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que ocorreram neste domingo (12) em diversas capitais do país tiveram baixa adesão de manifestantes.

Os atos, que começaram durante a manhã e se estenderam pela tarde, pediam pelo impeachment de Bolsonaro e cobravam por mais vacinas contra a Covid-19.

Faixas de protesto levadas pelos manifestantes mencionavam, além do mote “Fora Bolsonaro”, a alta de preços dos alimentos e da gasolina. Nas ruas, também foi possível observar padronizações como o uso de vestimentas brancas e pedidos por uma “terceira via” para o pleito de 2022.

Segundo apuração da Agência CNN, foram registradas manifestações em 18 capitais e no Distrito Federal.

As cidades foram São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Palmas (TO), Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Recife (PE), João Pessoa (PB), Natal (RN), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e São Luís (MA).

As articulações em torno dos protestos deste domingo começaram em paralelo à organização das manifestações de 7 de Setembro – que foram a favor de Bolsonaro e endossadas pelo presidente.

Os protestos foram organizados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelos grupos Vem Pra Rua e Livres. A articulação atraiu o apoio de políticos de direita, de centro e de esquerda, mas dividiu a oposição.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e outras legendas de esquerda não aderiram aos protestos deste domingo e já organizam outros atos contra o governo. A direção do PT anunciou uma manifestação contra Bolsonaro para 2 de outubro.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, os manifestantes começaram a se concentrar nas imediações do Museu de Arte de São Paulo (Masp) às 11h, e se dispersaram por volta das 18h30.

Segundo um levantamento do Centro de Operações da Polícia Militar de São Paulo (Copom), aproximadamente 6 mil pessoas participaram da manifestação na Paulista até o meio da tarde. Para o ato, a PM destacou 2 mil policiais do efetivo para reforço no esquema de segurança na região.

Nos atos do 7 de Setembro, o Copom havia estimado a presença de 125 mil manifestantes pró-Bolsonaro. Em termos comparativos, o público presente neste domingo representa pouco menos de 5% do total do ato governista.

Além de líderes do MBL, como o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), participaram também outros nomes da política, como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Simone Tebet (MDB-MS), os deputados federais Orlando Silva (PCdoB-SP) e Tabata Amaral (sem partido-SP), e João Amoêdo, que foi candidato a presidente pelo Novo em 2018.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), confirmou presença de última hora no ato e discursou brevemente. Para ele, o Brasil se transformou em um “país isolado politicamente” devido às investidas de Bolsonaro contra líderes da China, Argentina, Alemanha e Estados Unidos. “Temos que resgatar um país que tenha seriedade”, opinou.

O governador também elogiou a decisão da executiva nacional do PSDB em classificar o partido como oposicionista ao governo federal. “Não há como ser neutro diante de um governo negacionista e incompetente”, disse Doria.

Ciro Gomes, candidato à presidência pelo PDT em 2018, compareceu ao evento paulistano e discursou sobre eventuais discordâncias entre membros da oposição a Bolsonaro.

“É claro que temos olhares diferentes sobre o futuro do Brasil, mas o que nos reúne, e é o que deve reunir toda a nação civicamente sadia, é a ameaça da morte da democracia e do poder da nação brasileira”, afirmou Gomes.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), que deixou o governo nos primeiros meses da pandemia do coronavírus, voltou a criticar o presidente em relação às políticas de combate à crise sanitária.

“Bolsonaro teve todos os poderes para coordenar a pandemia, deu maus exemplos e adiou o quanto pode a compra de vacinas porque tinha motivações obscuras”, disse o ex-ministro.

Em Brasília, o ato teve a participação de aproximadamente 100 pessoas, que se concentraram próximas à Biblioteca Nacional. O grupo carregava faixas de apoio ao impeachment e com cobranças para o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), analisar um dos pedidos protocolados contra Bolsonaro.

No Rio de Janeiro, os manifestantes se concentraram em Copacabana, na zona sul, ao lado de um carro de som a partir das 10h. No começo da tarde, porém, o ato já havia sido encerrado.

Os presentes utilizaram camisas brancas e pretas, além de empunharem bandeiras e cartazes. Um carro de som foi usado no protesto. O objetivo, segundo os organizadores, era a defesa a democracia. Além do apoio ao impeachment de Bolsonaro, havia também cobrança por mais vacinas contra a Covid-19.

Tanto em Brasília como no Rio de Janeiro, a polícia não divulgou informações sobre a quantidade de pessoas que aderiram aos atos.

Demais atos pelo Brasil

Em Salvador, Manaus e Belo Horizonte, as manifestações aconteceram a partir das 8h, mas também já estavam dispersas no começo da tarde.

As cidades de Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, São Luís e Vitória também registraram opositores do governo nas ruas.

Na capital mineira, o ato ficou concentrado na Praça da Liberdade, região central, e foi encerrado por volta de 12h50. Manifestantes carregavam bandeiras de partidos políticos e cartazes contra o governo, e um carro de som também esteve no local.

Em Curitiba, os manifestantes se reuniram em uma região da cidade nomeada de Boca Maldita e carregaram bandeiras contra o governo Bolsonaro. O ato durou entre as 15h e 17h.

Em Porto Alegre (RS), o ato contrário ao governo começou por volta das 15h, na Avenida Goethe. Os movimentos sociais que aderiram ao protesto tinham lideranças revezando para discursar em dois carros de som que foram colocados para a manifestação.

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul (PSDB), também compareceu à manifestação – definida por ele como “ato pela defesa da nossa democracia”. Leite publicou fotos do momento nas redes sociais:

Já em Florianópolis, os manifestantes reuniram-se na praça Quinze de Novembro entre as 14h e 17h30, mas o ato não chegou a ir às ruas, limitando-se à escadaria da catedral central.

As faixas de protesto também abordavam o aumento da gasolina e dos produtos da cesta básica para além da pauta do impeachment.

*Com informações de Isabelle Saleme, Caroline Louise e Lucas Janone, Gustavo Zucchi, da CNN, no Rio de Janeiro, em Brasília e Belo Horizonte 

**Erramos: ao contrário do que foi publicado anteriormente neste texto, o deputado Alessandro Molon não esteve presente nos protestos. O texto foi corrigido.

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