Master: Quem não quer instalar CPI tem rabo preso, diz Rollemberg
À CNN, deputado defendeu abertura de comissão em ano eleitoral para "a população separar o joio do trigo"
O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou nesta segunda-feira (2) um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os escândalos do Banco Master, investigado pela PF (Polícia Federal) por emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. Para ele, parlamentares que se oporem à solicitação "têm rabo preso".
"O ano eleitoral é mais um indicador e uma justificativa para que a Câmara instale imediatamente [a CPI]", começou o parlamentar em entrevista à CNN.
E completou: "É muito importante que seja feito no ano eleitoral para que a população possa separar o joio do trigo: os maus políticos dos políticos corretos. Quem não quer instalar a CPI do Banco Master é porque, de alguma forma, tem seu rabo preso".
Rollemberg afirmou que as 199 assinaturas do pedido de abertura da CPI são de parlamentares de "todos os partidos", seja da base do governo ou da oposição.
A sessão no plenário contará com a leitura da mensagem do Poder Executivo com as prioridades do governo no Congresso. As pautas prioritárias já anunciadas por integrantes da base aliada envolvem o tema da segurança pública, o debate do fim da escala de trabalho 6x1, e acordo entre Mercosul e União Europeia.
CPI do Banco Master
As chances de uma CPI específica para investigar as fraudes do Banco Master são muito remotas neste início de ano. De acordo com apuração da âncora e analista de política da CNN Débora Bergamasco no Agora CNN Manhã, Davi Alcolumbre, que comanda o Senado Federal, está convencido de que ainda não é o momento adequado para instalar uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o caso.
Na Câmara dos Deputados, já existe uma fila com 15 requerimentos de CPI aguardando análise, o que dificulta a abertura de uma nova comissão. Embora o regimento interno não permita furar esta fila, especialistas apontam que, por meio de negociações políticas, seria possível priorizar determinadas investigações caso houvesse real interesse da maioria parlamentar.
O cenário político atual revela divisões claras em relação ao tema. Segundo análises apresentadas pela CNN, alguns parlamentares bolsonaristas desejam a instalação da CPI para pressionar o PT, enquanto integrantes do partido buscam usar a investigação para atingir o Centrão, que mantém alianças com a família Bolsonaro. Esta disputa de interesses tem travado o avanço das discussões.
Entenda o caso
O BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. Na ocasião, a autoridade monetária informou que a decisão foi motivada por "grave crise de liquidez" e "graves violações" às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
Foram liquidados de forma extrajudicial o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Dados divulgados pelo BC indicavam que o conglomerado do Banco Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do SFN.
A liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF (Polícia Federal) para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da operação, um dia antes da decisão do BC, em 17 de novembro.


