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    Eleições 2022

    Maurício Pestana: A superficialidade das pautas estruturantes nessas eleições

    Temas como educação, um dos importantes fatores da desigualdade no país, não são debatidos com profundidade na campanha

    Brasil tem índices ruins na educação
    Brasil tem índices ruins na educação Cleiton Borges/Secom/PMU

    Maurício Pestana

    A pouco mais de duas semanas das eleições mais esperadas, disputadas e divididas de que se tem notícia no país, já dá para ter um balanço de como tem sido o processo político e as pautas que estão norteando uma das maiores democracias do mundo.

    Embora o processo político-eleitoral seja feito do mesmo ritual em qualquer parte do mundo — ou seja, promessas, sorrisos e muita lavagem de roupa suja –, a coisa mais importante a que o eleitor deve ficar atento mesmo é a proposta de cada candidato, o programa de governo e, no caso de uma reeleição, a prestação de contas do candidato que quer continuar no cargo.

    Tenho acompanhado os processos políticos brasileiros há décadas e o que mais me chama atenção é que pautas estruturantes da sociedade brasileira quase nunca são debatidas com profundidade; essas pautas sempre são substituídas por pautas momentâneas e em geral na superficialidade, sem o aprofundamento necessário para resolver problemas seculares como, por exemplo, educação e distribuição de renda, um dos pilares da nossa desigualdade.

    O Brasil é um dos países mais desiguais do planeta. No quesito educação, de 76 países pesquisados no desempenho educacional em 2021, ficamos em 60º lugar; o nível de alfabetismo funcional e de pessoas que não conseguem ler e escrever é gritante e só aumentou com a pandemia.

    Este é um dos temas estruturantes que nos acompanha desde o tempo da escravização com pouquíssimos avanços. E por falar em período escravocrata, negros em nosso país são os que mais sofrem com este problema estruturante.

    Com pouca ou nenhuma educação, são vítimas de um processo excludente que tem seu início exatamente na educação péssima ou inexistente, que resulta em trabalho e salário condizente com essa falha educacional e vai descambar em outros processos excludentes relacionados à habitação, saúde, segurança pública, entre outros temas que, em geral, no período eleitoral são discutidos na superficialidade.

    O exemplo clássico do desleixo com este tema, que é uma das raízes da nossa desigualdade, é a total empáfia na qual alguns dos candidatos estão tratando, neste período eleitoral, um dos projetos mais exitosos no campo da educação no país que são as cotas raciais, que podem, inclusive, ser revogadas pelo Congresso Nacional.

    Em uma recente consulta realizada pelo jornalismo da CNN sobre o tema para os principais candidatos à presidência da República, as respostas dos cinco candidatos mais pontuados nas pesquisas eleitorais foram as seguintes:

    Luiz Inácio Lula da Silva: “As cotas foram instituídas pelo governo Lula e são políticas importantes de inclusão e acesso ao ensino superior, os alunos cotistas têm demonstrado desempenho igual ou superior ao conjunto dos estudantes universitários”.

    Jair Bolsonaro, Ciro Gomes e Simone Tebet não responderam.

    Felipe d’Ávila: “A cota é sinal de que nossa educação básica está falhando; sinal de que a função essencial da educação pública que é garantir mais oportunidades para todos não está sendo cumprida. É nossa obrigação corrigir esse problema em suas causas, e não tentar atenuar a desigualdade social com um paliativo. Devemos lutar por um Brasil menos desigual e sem cotas, melhorando nossas escolas, investindo no ensino fundamental e técnico”.

    Se um tema tão importante como este relacionado à educação não aparece como destaque nas propostas e nem no debate eleitoral, significa que temos muito que avançar e entender por que ainda reclamamos tanto da fragilidade da nossa democracia.

    Este texto não representa, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.