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    Eleições 2022

    Maurício Pestana: O debate do mais do mesmo

    Chama a atenção o racismo não ter sido colocado num debate de brancos, comandado por brancos, indagado por brancos, para discutir o futuro do país em que mais da metade da população se autodeclara negra

    Candidatos à Presidência participam do 1º debate eleitoral
    Candidatos à Presidência participam do 1º debate eleitoral André Ribeiro/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Maurício Pestanada CNN

    Esta semana foi marcada pelo primeiro debate entre os presidenciáveis nestas eleições que são das mais aguardadas dos últimos anos. Se por um lado a polarização entre dois projetos distintos de poder tem ocupado todas as atenções e intenções de voto, o tão aclamado voto de centro acabou se destacando com as falas eloquentes e com grau carregado de estímulo à diversidade da candidata Simone Tebet (MDB), que chegou a prometer em seu governo a metade do ministério formada por mulheres e também com a presença de negros.

    Não se esperava mais do que isso da única mulher candidata com estrutura partidária e política a concorrer neste pleito. Mas o que chamou a atenção dos mais atentos à questão de diversidade principalmente com foco na questão racial foi a ausência negra, não só nas cinco candidaturas mais pontuadas, mas também entre os jornalistas que fizeram as perguntas, assim como a pauta do racismo ou até mesmo das cotas raciais, que está a todo vapor no Congresso para sua permanência ou não ser votada.

    Chama-nos muito a atenção o tema racismo, que está na ordem do dia, não ter sido colocado. Talvez tenha sido um reflexo do evento em si: um debate de brancos, comandado por brancos, indagado por brancos, para discutir o futuro do país em que mais da metade da população se autodeclara negra. Ou seja, um debate do mais do mesmo.

    Mas, para não dizer que os afro-brasileiros não foram lembrados, Ciro Gomes (PDT), em um dado momento, respondeu que “o Brasil é um país que tem comida, diferente do fundão da África”. Mais uma vez colocou a África como um país, e não como um continente que tem mais de 50 países, e pior, citou um país que não existe no mapa terrestre: o “Fundão da África”.

    Esperávamos que, após quatro anos, por mais que o governo ignorasse a pauta racial, com os avanços do tema em nossa sociedade, principalmente após George Floyd, após a eleição da primeira mulher negra como vice-presidente dos Estados Unidos, e de toda a pauta racial posta na rua e em discussão na sociedade brasileira, teríamos um pouco mais de respeito e atenção com o tema que é urgente para nós, exatamente para aqueles que não apareceram e não aparecem nos grandes debates deste país.

    Este texto não representa, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.