Mesmo com negativa de Fachin, Forças Armadas devem insistir em reunião técnica

Avaliação de militares do governo é de que encontros da comissão de transparência eleitoral não permitem discussão aprofundada sobre incremento da segurança do processo eleitoral

Ministro Edson Fachin
Ministro Edson Fachin Adriano Machado/Reuters

Gustavo Uribeda CNN

Brasília

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Mesmo com a negativa do ministro Edson Fachin, as Forças Armadas devem insistir na realização de uma reunião técnica com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A avaliação feita à CNN por militares do governo é de que os encontros do comitê de transparência eleitoral, como o promovido nesta segunda-feira (20), têm pouco espaço para discussões aprofundadas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Por isso, a tendência é de que as Forças Armadas reafirmem posição sobre a necessidade de uma nova reunião, com a presença apenas de auxiliares técnicos, para discutir eventuais mudanças no processo eleitoral.

Nas palavras de um militar do governo, a reunião poderia ter a participação de especialistas de outros setores da sociedade, mas que permita um debate sobre melhorias do atual sistema eletrônico, sem caráter político.

Na segunda-feira (20), Fachin disse à CNN não haver previsão de reunião fechada com as Forças Armadas e reafirmou que o diálogo sobre eleições é dentro da comissão de transparência das eleições.

“Não imagino que instituição almeje tratamento privilegiado, preciso prezar pela igualdade”, disse o ministro em referência a pedido feito pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

Técnicos das Forças Armadas apontam dois pontos que poderiam ser adotados nas eleições deste ano. Um deles é a participação de um grupo de eleitores no chamado teste de integridade, que é realizado no mesmo dia da eleição. A avaliação é de que a presença de eleitores comuns, mediante a biometria digital, aproxima o teste das condições normais de votação, trazendo mais segurança ao pleito.

A questão foi analisada pela Justiça Eleitoral, que considerou ser um tema para ser analisado apenas em próximas eleições. O argumento da Corte Eleitoral é de que hoje no país nem todos os eleitores buscaram o registro biométrico e que há unidades da federação que ainda não terminaram o processo de coleta do registro digital.

O segundo ponto defendido pelas Forças Armadas seria a realização de um novo teste público de segurança das urnas eletrônicas, colocando à prova as urnas eletrônicas mais modernas, de 2020. Segundo a Justiça Eleitoral, a sugestão foi acolhida parcialmente.

A Corte Eleitoral afirma que a realização de uma nova testagem pública esbarra no curto prazo para o processo eleitoral, que terá início em agosto, mas que a auditoria do novo modelo “será assegurada por meio de um ajuste no plano de trabalho”.

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