Militares ampliam atuação na pandemia e vão supervisionar nova gestão na Saúde

General Braga Netto já é o responsável pela coordenação do gabinete de crise do governo; agora, almirante ajudará na transição do ministério

Ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, coordena gabinete de crise (03.abr.2020)
Ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, coordena gabinete de crise (03.abr.2020) Foto: Isac Nóbrega/PR

Caio Junqueirada CNN

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O presidente Jair Bolsonaro determinou que o núcleo militar do governo supervisione a nova gestão no Ministério da Saúde. O secretário de Assuntos Especiais, almirante Flavio Rocha, recebeu a incumbência de acompanhar de perto a transição. Ele fará essa interface com o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, que já é o responsável pela coordenação do gabinete de crise do governo.

Além de uma supervisão, a ideia é que as Forças Armadas também ampliem seu papel no combate ao coronavírus no país. Em especial, na parte de logística e de segurança. Por exemplo, na distribuição dos testes que o novo ministro, Nelso Teich, pretende fazer. Ou no cuidado para que a distribuição deles não sofra qualquer dano. 

Hoje, já há mais de 25 mil homens das forças em atuação ao combate ao coronavírus, número semelhante ao que foi Segunda Guerra Mundial. O Planalto não fala ainda em ampliar esses números, mas sim que haja uma participação maior nessas áreas estratégicas.

Além dos militares, a expectativa é a de que a Associação Médica Brasileira (AMB) tenha também uma participação relevante na nova gestão, ainda que seja apenas de aconselhamento. O presidente da entidade, Linconl Ferreira, o tesoureiro, José Luis Bonamigo Filho, participaram das conversas na quinta-feira com Bolsonaro e seus ministros mais próximos.

Dois fatores, segundo fontes, foram essenciais para a escolha. Primeiro, o apoio da AMB. Linconl fez uma fala clara de que o agora ex-ministro Luiz Henrique Mandetta havia perdido o apoio da classe. Outra foi uma fala de Teich sobre o que se chama de “determinantes sociais da saúde”. Basicamente, uma visão mais global da saúde e o impacto de outros fatores nos seus indicadores, como a economia e o desenvolvimento social. 

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A conclusão foi a de que a crise do coronavírus não pode ser vista apenas sob a ótica do número de mortos e de infectados do COVID-19, mas também sob o impacto da estratégia de combate em outras doenças do sistema de saúde. Ele relatou que o foco apenas no coronavírus acaba por desassistir outras enfermidades e também impactar o sistema de saúde. 

Outro fator que ajudou na sua escolha foi não fechar qualquer possibilidade de análise de outros tratamentos, como a cloroquina. O presidente lhe disse que era preciso apontar saídas também para a população, transmitir alguma mensagem positiva e não ajudar a criar um ambiente estritamente alarmista, crítica comum no Planalto feita a Mandetta. Foi mencionado que deve ser destacado também daqui em diante o número de recuperados, algo que a antiga gestão demorou a destacar. Pediu também que fosse feita uma análise sobre como os recuperados conseguiram se curar, principalmente se a cloroquina foi utilizada.

Com a posse no final da manhã desta sexta-feira, um dos primeiros passos do ministro será a revisão da estrutura organizacional da pasta. Depois, começar a organizar o sistema de informações da pasta. Um terceiro passo é, a partir dessas informações coletadas, construir um plano amplo de testes da população.

Mas o governo não quer que os testes sejam universais, ou seja, para toda a população. É preciso focar em algumas localidades mais críticas e em respeito a uma amostragem fidedigna do perfil da população e dos locais onde há maior incidência do vírus. Só a partir daí que será elaborado, finalmente, o que o presidente deseja: um plano de transição do isolamento social total para um parcial. 

Por isso que o novo ministro irá englobar nesses testes  as empresas, além do Sistema Único de Saúde (SUS) e do privado. Assim, pretende fazer com que a atividade econômica seja retomada aos poucos sem risco de contaminação dos empregados e da população.

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