Ministros do STF e entidades repudiam agressões à imprensa em atos pró-Bolsonaro

Apoiadores do presidente agrediram quatro profissionais em Brasília neste domingo (3), diz sindicato da categoria

Da CNN, em São Paulo

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No dia em que é comemorado o Dia da Liberdade de Imprensa, ao menos dois repórteres e dois fotógrafos foram agredidos com socos, empurrões e pontapés durante a cobertura de manifestações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso em Brasília, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) saiu do Palácio do Planalto para se encontrar com os apoiadores e transmitir o que acontecia ao vivo nas redes sociais.

A ministra do STF Carmem Lúcia participou de uma live e repudiou as agressões sofridas pelos profissionais. “É inaceitável, inexplicável que ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel de um profissional de imprensa garante a cada um de nós poder de ser livre. Não há dignidade na ausência de liberdade e não há como exercer a liberdade sem ser informado daquilo que se passa à nossa volta, que nos diz respeito, que diz respeito ao outro. Esse é um papel que a imprensa cumpre superiormente. Cumpre como é seu dever, mas cumpre para garantir o direito de cada um de nós”.

O também ministro do STF Luiz Fux emitiu uma nota. “A dignidade da imprensa se exterioriza pela sua liberdade de crítica, de investigação e de denúncia de atitudes antirrepublicanas. Num país onde se admite agressões morais e físicas contra a imprensa, a democracia corre graves riscos”.

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu que as instituições democráticas imponham “ordem legal” a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, aos quais acusou de confundirem fazer política com “tocar o terror”. “Minha solidariedade aos jornalistas e profissionais de saúde agredidos. Que a Justiça seja célere para punir esses criminosos”, escreveu no Twitter.

O Sindicato dos Jornalistas do DF também repudiou a agressão e pediu que as forças de segurança impeçam atos de violência contra os profissionais, principalmente durante as manifestações. 

A Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj) lembrou que as ofensas cotidianas à imprensa feitas pelo presidente mobilizam o ódio e os ataques. Segundo levantamento publicado hoje pela Federação, Bolsonaro é o maior violador da liberdade de imprensa, com 179 agressões registradas somente nos quatro primeiros meses de 2020.

Governadores criticam

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), criticou a postura do presidente nas ruas neste domingo (3). “Passamos dias e dias apelando às pessoas para ficarem em casa e cuidarem da saúde. E o presidente segue acenando para as pessoas em aglomerações. Não sei onde o presidente quer chegar com isso, mas cada vida perdida será responsabilidade dele. É um péssimo exemplo (…) Até quando o presidente vai tratar COVID-19 como um resfriadinho?”, questionou.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) também criticou o comportamento dos manifestantes. “Não são apoiadores, crescentemente adotam o comportamento de milícias, que pela força física tentam impor suas ideias. Há meses promovem agressões impunemente. Jornalistas, Sérgio Moro e Alexandre de Moraes são as vítimas mais recentes”.

 

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