Molica: Ministro da Defesa não tem o direito de estimular debate sobre eleições

No quadro Liberdade de Opinião, jornalista Fernando Molica analisou ameaça de Braga Netto à realização de eleições em 2022

Da CNN, em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (23), Fernando Molica repercutiu a turbulência política após o ministro da Defesa, general Braga Netto, dizer, dentro do Palácio do Planalto, que as eleições no ano que vem só vão acontecer com voto impresso.

A ameaça, ouvida por mais de uma pessoa, foi publicada pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmada pela CNN. Em uma cerimônia na Esplanada dos Ministérios, Braga Betto afirmou que todo cidadão quer uma “maior transparência e legitimidade” nas eleições.

“Como cidadão brasileiro e eleitor, o general Braga Netto tem todo o direito de ser favorável a essa ou aquela forma de eleição, mas, como ministro da Defesa, ele não tem esse direito. Não tem o direito de usar o poder de ministro da Defesa para estimular essa discussão porque soa como ameaça”, afirmou Molica.

“Nesse pronunciamento de ontem, ele poderia ter desmentido a reportagem do jornal, mas ele embute de novo a defesa do voto impresso. Fala que todo cidadão quer um sistema mais auditável, rigoroso, enfim, ele mistura as situações e isso é complicado porque remete a uma situação do papel dos militares na vida política brasileira.”

“A ditadura acabou em 1985, mas passado tanto tempo ainda subsiste no meio militar uma espécie de lógica de tutelar a nação brasileira, como se eles fossem os responsáveis pela vida democrática brasileira — não são. Militares são funcionários públicos que recebem do povo brasileiro o direito e o dever de zelar pelos poderes constitucionais e pela segurança brasileira”, apontou o jornalista.

O Liberdade de Opinião tem a participação de Fernando Molica e Alexandre Garcia. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

Fernando Molica no quadro Liberdade de Opinião
Fernando Molica no quadro Liberdade de Opinião
Foto: CNN Brasil (23.jul.2021)

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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