Moraes: Abin e GSI foram usados para espalhar narrativa contra a democracia

Ministro ressaltou que "deslegitimar a Justiça Eleitoral e o poder Judiciário" é "desacreditar a democracia"

Gabriela Boechat, Davi Vittorazzi, Manoela Carlucci e Gabriela Piva, da CNN, Brasília e São Paulo
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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (9) que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) foram usados para espalhar uma "narrativa" contra a democracia. 

"A organização criminosa, ela se reuniu e a partir de junho de 2021, passou a utilizar tanto o Abin quanto o GSI e depois a adesão de outros réus e outros órgãos públicos para estruturação, criação e divulgação dessa narrativa mentirosa em que ameaçava a integridade da justiça eleitoral. E paralelamente se desenvolveu no âmbito da Abin a chamada Abin paralela, se desenvolveu no âmbito da Abin um sistema de monitoramento, um sistema de perseguição em relação a adversários políticos", afirmou.

De acordo com Moraes, "deslegitimar a justiça eleitoral e o poder judiciário, é jogar parcela da população contra o poder judiciário, contra as eleições e com isso desacreditar a democracia e se perpetuarem no poder".

Na ocasião, o réu Alexandre Ramagem (PL) era diretor da Abin. Ele teve a acusação de dois crimes suspensa pela Câmara dos Deputados e, então, responde por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.

Moraes disse que o ex-diretor da Abin ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com a aprovação do Senado Federal e o ministro chefe do gabinete civil e institucional do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), "iniciou a estruturação de produção e divulgação de massiva desinformação sobre uma pretensa e inexistente vulnerabilidade das urnas eletrônicas, da existência de fraudes nas eleições, sempre com o intuito de deslegitimar da justiça eleitoral".

A Primeira Turma da Suprema Corte iniciou, nesta terça-feira (9), a votação do julgamento que pode condenar, ou absolver, Bolsonaro e todos os outros sete réus do "núcleo 1" da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República). Depois, os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votam.

Cronograma do julgamento 

Nesta semana foram reservadas quatro datas para as sessões do julgamento, veja: 

  • 9 de setembro, terça-feira, 9h às 12h e 14h às 19h; 
  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h; 
  • 11 de setembro, quinta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h; e  
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h.