Moraes cobra Exército explicações sobre visitas irregulares a Braga Netto

General está preso em unidade militar do Rio de Janeiro; relatório aponta entradas fora de dias autorizados e assistência religiosa sem aval judicial

Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que o Comando da 1ª Divisão de Exército, no Rio de Janeiro, esclareça inconsistências em relatórios sobre a custódia do general Walter Braga Netto, condenado a 26 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Não há prazo para o envio dos esclarecimentos.

A decisão foi tomada após análise do primeiro relatório semanal de atividades do apenado, encaminhado pela unidade militar e referente ao período de 7 a 14 de março de 2026. O documento indicou a realização de visitas em dias não previstos no regulamento informado anteriormente ao STF, além de atendimento religioso sem autorização judicial.

Segundo as regras apresentadas pelo Exército, as visitas deveriam ocorrer apenas às terças, quintas e domingos, mediante agendamento prévio e autorização judicial, no horário das 14h às 16h, com limite de três pessoas. No entanto, o relatório apontou visitas na segunda-feira (9), sexta-feira (13) e sábado (14). Em um dos casos, o visitante não teria autorização.

Também foi registrada assistência religiosa na quarta-feira (11), sem aval prévio da Justiça.

Diante das divergências, Moraes determinou o envio de ofício ao comando da unidade militar para esclarecimentos.

Braga Netto cumpre pena em regime fechado e está custodiado em instalação sob responsabilidade do Exército, que se comprometeu a enviar relatórios semanais detalhando a rotina do preso.

A CNN procurou a defesa de Braga Netto, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.