Moraes diz que Mendonça direciona sigilo para proteger "grupo politico"
Ministro cita 180 documentos fora do acesso do colegiado e afirma que relator escolhe o que liberar antes do julgamento
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta sexta-feira (11) que André Mendonça faz um levantamento "seletivo e direcionado" do sigilo no caso Master para proteger "determinado grupo político". Em novo ofício enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes contestou a afirmação de Mendonça de que todo o material relevante para o julgamento de terça-feira (15) já foi disponibilizado aos ministros.
Moraes apresentou imagens do sistema do STF que indicam a existência de documentos sigilosos e não visíveis em procedimentos relacionados ao caso. “Não é o que consta dos autos”, afirmou.
Segundo o ministro, o colegiado segue sem acesso a 18 petições e a 180 documentos. Moraes também afirmou que não cabe ao relator escolher quais peças serão disponibilizadas aos demais ministros.
Mais cedo, Mendonça havia negado ter feito uma retirada seletiva do sigilo. Disse que diferenças no número de peças exibido pelo sistema do STF não significam, necessariamente, que documentos tenham sido ocultados, e afirmou que todo o material necessário ao julgamento já foi disponibilizado.
O embate ocorre às vésperas da sessão em que o Supremo deve analisar o relatório da Polícia Federal que apontou mensagens de Daniel Vorcaro para Moraes.


