Moraes lê relatório em julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe

Ministro apresenta aos magistrados da Primeira Turma do STF os principais argumentos da acusação e das defesas e os fatos processuais

Davi Vittorazzi e Gabriela Boechat, da CNN, Brasília
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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), começou a ler nesta terça-feira (2) o relatório da ação penal envolvendo o núcleo 1 do processo do plano de golpe.

Moraes é relator do caso e foi responsável por toda fase de instrução criminal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus do também chamado "núcleo crucial", segundo acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

O caso é analisado pela Primeira Turma do STF, responsável por conduzir o julgamento. O colegiado é formado pelos ministros Alexandre de Moraes (relator do caso), Cristiano Zanin (presidente da Turma), Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

A leitura do relatório é a primeira etapa do julgamento iniciado nesta terça-feira. Não existe um limite de tempo sobre a leitura.

Após o ministro relator concluir a leitura do documento, a PGR terá até duas horas para fazer a sustentação oral em prol das acusações contra os oito réus.

Na sequência, os advogados dos réus têm até uma hora para fazer a defesa.

A defesa de Mauro Cid será a primeira, por ele ser delator no processo.

Se o relator seguir a metodologia feita no recebimento da denúncia, as demais falas seguirão ordem alfabética, com a defesa de Jair Bolsonaro sendo a sexta a se manifestar. Essa etapa deve ocupar as duas sessões previstas para esta semana.

Quem são os réus

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Jair Bolsonaro, ex-presidente;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Crimes apontados

A denúncia da PGR acusa os réus por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

A única exceção é Alexandre Ramagem, que teve a acusação de dois crimes suspensa pela Câmara dos Deputados. Ele responde apenas por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.