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    Moro agiu para tirar juiz Appio da Lava Jato, diz ex-deputado Tony Garcia

    Um dos delatores da Operação, Garcia diz que denúncias feitas para a juíza Gabriela Hardt foram engavetadas

    Bárbara Brambilada CNN

    São Paulo

    O ex-deputado estadual Tony Garcia, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirma que o ex-juiz Sergio Moro, agora senador pelo Paraná no União Brasil, interferiu para afastar o juiz federal Eduardo Appio da operação.

    Em entrevista à CNN, Garcia disse acreditar que essa interferência aconteceu porque Appio levaria adiante as denúncias que ele fez à responsável anterior pela operação, Gabriela Hardt.

    Segundo Garcia, essas denúncias consistiam no fato de que o ex-deputado teria ficado por anos trabalhando para a Lava Jato para obter informações de interesse da operação.

    “Eles me amarraram nesse acordo durante dez anos. Eles ficaram me usando para obter informações, usaram informações para perseguir o PT, eles usaram da minha amizade com o Eduardo Cunha para eu colher informações de operadores do PT, operadores da Petrobras, operadores do Zé Dirceu, de tudo, eles queriam pegar tudo”, afirmou.

    Garcia afirma que fez a denúncia para a juíza Gabriela Hardt em 2021, após solicitar uma audiência com a magistrada.

    “Eu falei que eu era agente infiltrado, que eu recebia as ordens diretas do Moro, que ele pedia para eu ir sem advogado. Eu fui 40 vezes ao MPF, fiquei trabalhando para eles, me fizeram de funcionário”, contou o ex-deputado. “Ela [Hardt] passou por cima de tudo.”

    Ainda de acordo com Garcia, quando assumiu a Operação Lava Jato, Appio teria submetido essas informações ao STF (Supremo Tribunal Federal). “Aí o Moro entrou em cena logo para abafar isso daí, para tirar o Appio. Porque ele achava que o doutor Appio era a pessoa que ia dar continuidade, ia tirar esse esqueleto do armário”, afirma.

    “E realmente tirou, ele tirou o meu esqueleto porque se eles achavam que iam me intimidar quebrando o meu acordo que ele mesmo [Moro] disse que é transitado e julgado. Eles não me intimidaram, pelo contrário, eles me deram força de vir a público agora e denunciar o que estão fazendo”, concluiu Garcia.

    A CNN entrou em contato com todos os citados por Tony Garcia. Por meio de nota, Sergio Moro afirmou que o relato do ex-deputado é mentiroso e dissociado de qualquer amparo na realidade ou em qualquer prova.

    O juiz Eduardo Appio disse que não vai se manifestar. A CNN ainda aguarda resposta da juíza Gabriela Hardt e do Ministério Público Federal do Paraná. Beto Richa, atualmente deputado federal pelo PSDB, enviou nota abaixo.

    Nota do deputado Beto Richa para a CNN:

    “Desconheço a existência de qualquer gravação que envolva meu nome com diretor ou representante da Odebrecht. Jamais interferi ou sugeri qualquer providência em relação ao processo de licitação da PR-323, que transcorreu de forma técnica e independente.

    Em relação ao contexto geral das declarações do sr. Tony Garcia, resta mais uma vez comprovado que houve, como tenho dito desde o início, um conluio de versões para tentar criminalizar alvos pré-escolhidos.

    Fui uma das vítimas dessas narrativas criminosas produzidas no interior da Lava Jato, sem jamais ter tido qualquer relação com a Petrobras ou com fatos a ela ligados.

    É preciso apurar tudo e passar a limpo os reais interesses que contaminaram a Lava Jato.”

    (Com informações de Bárbara Bambrila, Layane Serrano e Tainá Falcão, publicado por Carolina Farias)