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    Moro pede ao STF rejeição de denúncia da PGR por suposta calúnia a Gilmar Mendes

    Defesa do senador diz que não houve crime em fala sobre “comprar habeas corpus” do ministro

    Sergio Moro
    Sergio Moro Foto: TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

    Lucas Mendesda CNN

    em Brasília

    A defesa do senador Sergio Moro (União-PR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a rejeição da denúncia contra ele feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo crime de calúnia contra o ministro do STF Gilmar Mendes.

    Segundo os advogados do congressista, a denúncia não trouxe requisitos mínimos necessários para seu prosseguimento.

    “Não é possível identificar quando, onde, por que, para quem, sob qual contexto as afirmações supostamente criminosas foram exprimidas pelo acusado”, disse a defesa de Moro.

    A PGR denunciou o senador em abril ao STF por causa de um vídeo em que Moro aparece falando em “comprar habeas corpus” de Gilmar Mendes.

    Outro ponto apresentado pela defesa do parlamentar é o de que o STF não teria competência para processar e julgar o caso porque a fala de Moro que é objeto da denúncia foi feita antes de ele assumir o mandato de senador da República.

    “As afirmações (não criminosas, registre-se desde logo) proferidas pelo acusado se deram ao largo de sua atuação parlamentar e enquanto este sequer era detentor de função pública eletiva”, disseram os advogados, afirmando que a fala também foi retirada de contexto.

    “O vídeo que originou a autuação do presente processo foi gravado durante uma ‘festa junina’, provavelmente ocorrida em junho/julho de 2022, e a sua versão editada foi divulgada em abril de 2023, ou seja, muito antes de o acusado assumir sua função pública eletiva junto ao Congresso Nacional”.

    Para a defesa de Moro, a denúncia não aponta “um elemento sequer” que indicaria que o senador seria o responsável por gravar, editar ou divulgar o vídeo. “Isso é sintomático, pois nada que diz respeito ao vídeo que serviu de base à denúncia é de responsabilidade de Sergio Moro”.

    Os advogados também argumentaram que, “apesar de infelizes”, as afirmações de Moro sobre Gilmar Mendes “não possuem qualquer conotação criminosa”.

    O advogado Luis Felipe Cunha assina a manifestação. O documento foi enviado ao Supremo atendendo a uma decisão da ministra Cármen Lúcia, relatora do caso. Em 2 de maio, a magistrada deu 15 dias para que Moro apresentasse sua defesa.

    Entenda

    A denúncia contra Moro é assinada pela vice-procuradora-geral da República, Lindôra Maria Araujo. O procedimento foi apresentado após a PGR receber uma representação do próprio Gilmar Mendes em 14 de abril.

    “Em data, hora e local incertos, o denunciado Sergio Fernando Moro, com livre vontade e consciência, caluniou o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Ferreira Mendes, imputando-lhe falsamente o crime de corrupção passiva, previsto no artigo 317 do Código Penal, ao afumar que a vítima solicita ou recebe, em razão de sua função pública, vantagem indevida para conceder habeas corpus, ou aceita promessa de tal vantagem”, disse Lindôra.

    Para a vice-PGR, Moro “agiu com a nítida intenção de macular a imagem e a honra objetiva do ofendido, tentando descredibilizar a sua atuação como magistrado da mais alta Corte do país”.

    No vídeo em questão, que repercutiu nas redes sociais, Moro é visto em uma aparente festa, ao ar livre, quando alguém ao fundo diz: “Está subornando o velho”. O ex-ministro da Justiça responde, enquanto pega um copo: “Não, isso é fiança… instituto. Para comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes”.

    Quando o vídeo veio à tona, a assessoria de Moro afirmou à CNN que “a fala foi retirada de contexto, tanto que [foi] divulgado só um fragmento e não contém nenhuma acusação contra ninguém”.

    Depois do oferecimento da denúncia, a CNN procurou novamente o ex-ministro da Justiça para comentar o caso. Por meio de sua assessoria, ele destacou que as imagens foram editadas e que “não revelam” qualquer acusação contra Mendes.

    “O senador Sergio Moro sempre se pronunciou de forma respeitosa em relação ao Supremo Tribunal Federal e seus ministros, mesmo quando provocado ou contrariado. Jamais agiu com intenção de ofender ninguém e repudia a denúncia apresentada de forma açodada pela PGR, sem base e sem sequer ouvir previamente o Senador”, pontuou a nota.

    Nesta terça-feira (23), a assessoria do senador afirmou que ele “se manifestará no prazo legal e na forma da lei após ser notificado do despacho da Ministra Carmen Lúcia”.