Moro volta a negar que será candidato a deputado federal pelo União Brasil

Ex-juiz diz que seu nome ‘está à disposição’ do partido, mas admite que pode ‘não ser candidato a nada’ em outubro

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro desistiu da pré-candidatura à Presidência da República e trocou o Podemos pelo União Brasil
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro desistiu da pré-candidatura à Presidência da República e trocou o Podemos pelo União Brasil Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo

Da CNN

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O ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) voltou a negar nesta segunda-feira (25) que irá concorrer a uma vaga de deputado federal por São Paulo. Ele vinha sendo cogitado como candidato à Câmara diante da possibilidade de seu partido lançar outro nome para a disputa ao Senado no estado.

No final de março, ao migrar do Podemos para o União Brasil, o ex-juiz anunciou que desistia, naquele momento, da pré-candidatura à Presidência. O anúncio foi feito após resistência de uma ala da legenda a seu nome.

O União Brasil aprovou em 14 de abril a indicação de seu presidente, o deputado federal Luciano Bivar, como pré-candidato ao Planalto. O partido discute com o MDB, o PSDB e o Cidadania o lançamento de uma candidatura única.

Moro afirmou nesta segunda-feira que uma possível candidatura ao Senado por São Paulo, para onde transferiu seu domicílio eleitoral em março, continua sendo analisada. A declaração foi dada em entrevista ao portal UOL.

Segundo ele, a desistência da pré-candidatura presidencial ocorreu com o objetivo de “ajudar a construir o centro democrático”. Ele afirmou que seu nome continua à disposição do partido e que irá definir seu futuro político “nos próximos meses”.

“Vou analisar adiante se vou participar ou não das eleições. (…) Pode ser que eu não seja candidato a nada”, afirmou.

Defesa de um ‘indulto parcial’ a Silveira

Moro defendeu ainda a possibilidade de um indulto parcial para diminuir a pena do deputado federal Daniel Silveira (PTB) como uma maneira de evitar a crise entre Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal.

“Minha crítica diz respeito à desproporção da pena [de Silveira]. Se o presidente tivesse concedido indulto parcial poderia ter evitado esse tipo de crise. O indulto total também é muito difícil de concordar. Gera uma possibilidade de escalada nessa crise entre esses dois poderes”, afirmou o ex-juiz.

Segundo ele, Daniel Silveira se excedeu nas palavras e nas ameaças ao STF, mas a pena dada pelo tribunal “foi excessiva”, o que teria deixado, em sua opinião, o Supremo Tribunal Federal em situação de “vulnerabilidade”.

Na quarta-feira (20), o deputado foi condenado a oito anos e nove meses de prisão por ataques verbais e ameaças a ministros do STF. Ele também teve o mandato cassado, e os direitos políticos, suspensos. No dia seguinte, Bolsonaro publicou um decreto para perdoá-lo.

Para Moro, decisões anteriores do STF de “enfraquecimento e desmantelamento” do combate à corrupção colocaram o tribunal numa “posição mais frágil e suscetível a esse tipo de ataques”.

“Na época da operação Lava Jato, se se cogitasse conceder indulto a um daqueles políticos processados, seria algo inimaginável dentro da opinião pública. Ela estaria do lado do STF com absoluta tranquilidade”, afirmou.

O ex-juiz afirmou considerar a questão da anulação ou não do indulto como “bastante complexa”. “O indulto está dentro das prerrogativas do presidente. (…) O STF tem um problema sério, do ponto de vista jurídico e político. Muita gente aponta que foi desvio de finalidade. O fato é como a gente chegou nessa situação? Como a gente escapa dela?”, afirmou.

*Publicado por Estêvão Bertoni. Com informações de Carolina Ferraz, Álvaro Gadelha e Vinicius Bernardes, da CNN

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