MPF abre nova linha para investigar vazamento de operação para Flávio Bolsonaro

Deputado estadual Marcus Vinicius (PTB) presta depoimento sobre suspeita de vazamento da Operação Furna da Onça

O senador Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro Foto: Pedro França/Agência Senado (19.fev.2019)

Leandro Resendeda CNN

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O deputado estadual Marcus Vinicius (PTB) presta depoimento como testemunha na tarde desta quarta-feira ao Ministério Público Federal no âmbito da investigação que apura suspeita de vazamento da Operação Furna da Onça para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).  Conhecido como Neskau, ele foi um dos parlamentares presos pela Polícia Federal (PF) na operação, deflagrada em 2018.

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Flávio Bolsonaro não era investigado, mas o MPF apura, desde maio, se o senador foi informado por alguém da PF que seu então assessor Fabrício Queiroz aparecia em um documento anexado à apuração. Ao saber disso, o filho do presidente Jair Bolsonaro teria exonerado Queiroz de seu gabinete. 

A oitiva do parlamentar faz parte de um novo flanco aberto pelo MPF na semana passada para apurar se houve ou não vazamento. Agora, os investigadores estão atrás dos alvos originais da Furna da Onça, que também estiveram na mira da Justiça por terem se beneficiado de vazamento da operação. A suspeita é de que um mesmo “vazador” possa ter passado informações para os parlamentares que eram, de fato, os investigados, e, ao mesmo tempo, para assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro. 

Deflagrada em novembro de 2018, a Furna da Onça foi uma etapa da Lava Jato do Rio que prendeu 22 pessoas, entre elas 10 deputados, suspeitos de integrarem o esquema de corrupção liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Ainda naquele mês, decisão do desembargador Abel Gomes apontou para a possibilidade de vazamento daquela operação: quatro dos alvos, ao serem presos, deram indícios de que tinham sido informados da investigação. 

No caso de Marcus Vinicíus, por exemplo, causou estranheza o fato de nenhum computador ter sido encontrado em sua casa ou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio.  Na lista de indícios estão, ainda, o fato de alvos terem entregue celulares sem conversas de WhatsApp e computadores sem nenhum arquivo armazenado.

Na semana passada, o MPF ouviu Afonso Monnerat, ex-secretário de governo do Rio durante o governo Luiz Fernando Pezão. Aos investigadores, ele se explicou sobre o fato de ter sido preso já “vestido socialmente”e com seu diploma de curso superior já separado. 

O MPF deve ouvir nos próximos dias os ex-deputados Coronel Jairo e Paulo Melo para fechar este novo foco de apuração. Enquanto isso, os investigadores tentam recorrer na Justiça de duas decisões: a que impediu a quebra de sigilos de dados daqueles que, supostamente, teriam participado da reunião em que a operação da PF vazou para Flávio Bolsonaro; e da decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região que negou o pedido do MPF para investigar Victor Granado Alves, ex-advogado do senador.

O deputado Marcus Vinicíus manifestou-se em nota, segundo a qual ele prestou esclarecimentos ao Ministério Público Federal como testemunha e apresentou “provas contundentes” de que não sabia do suposto vazamento da Operação Furna da Onça. “Com tranquilidade, relatou que não foi favorecido e enumerou danos que o suposto vazamento causaram à sua vida. O deputado considerou o depoimento importante para restabelecer a verdade e a Justiça”, conclui.

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