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    MPF denuncia Roberto Jefferson por tentativa de homicídio contra 4 policiais

    Ao receber voz de prisão em outubro, ex-deputado atirou e arremessou granadas contra agentes da PF

    Pauline Almeidada CNN

    No Rio de Janeiro

    O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-deputado federal Roberto Jefferson por tentativa de homicídio contra quatro policiais federais, recebidos a tiros e granadas no dia 23 de outubro. O fato aconteceu quando a equipe tentava prender o ex-parlamentar na cidade de Comendador Levy Gasparian, no Rio de Janeiro.

    A CNN fez contato com a defesa do denunciado e aguarda retorno.

    O documento assinado pelos procuradores Charles Pessoa e Vanessa Seguezzi, de Petrópolis (RJ), relata que a equipe da Polícia Federal chegou à casa de Jefferson por volta das 12h15 e encontrou o portão eletrônico fechado. Os policiais tentaram contato pelo interfone e não tiveram resposta.

    Enquanto isso, segundo o MPF, o ex-deputado monitorava os policiais com câmeras de segurança e gravava um vídeo publicado na internet, dizendo que iria enfrentá-los. Em seguida, teria aparecido na varanda, dizendo: “vocês não vão me levar”.

    “Roberto Jefferson, então, passa a exibir o armamento que dissimulou dos Policiais, principiando por uma granada (adulterada com pedaços de pregos cortados envoltos por fita adesiva), da qual retirou o pino e anunciou, de forma debochada, que a lançaria e “vocês estão juntinhos aí vão machucar”, aponta o documento enviado à Justiça.

    Após o lançamento da granada, os policiais correram para se defender. Jefferson puxou uma carabina e efetuou cerca de 30 tiros, a maioria na direção de uma viatura onde dois policiais se protegeram.

    Um dos policiais revidou os tiros enquanto tentava socorrer uma agente ferida na cabeça. Ainda segundo a denúncia, mesmo tendo ouvido os gritos de “policial ferido”, o ex-deputado lançou mais duas granadas e iniciou outros 30 disparos, momento em que um segundo agente notou que estava ferido.

    Após o episódio, Jefferson gravou novo vídeo em que afirmou: “Mostrar a vocês que o pau cantou! Eles atiraram em mim e eu atirei neles! ‘Tou’ dentro de casa, mas eles estão me cercando. Vai piorar! Vai piorar muito! Mas eu não me entrego!”

    Uma policial federal foi ferida no rosto e pernas com os estilhaços da granada com pregos. Ela ainda teve a pistola, que estava em um coldre na cintura, atingida e danificada por um tiro. Já outro agente foi ferido a tiros.

    “A dinâmica dos acontecimentos não deixa dúvidas quanto à intenção deliberada (dolo direto) de ROBERTO JEFFERSON de tentar matar os Policiais Federais…, a partir de um prévio planejamento de confronto armado que poderia, inclusive, resultar em sua própria morte…”, avaliam os procuradores.

    O episódio ainda prejudicou um imóvel vizinho, onde estavam 16 crianças em uma confraternização, sendo que uma delas se feriu ao fugir dos tiros e explosões.

    O MPF aponta que, com Jefferson, foram encontrados uma arma de fogo de uso restrito e 8.332 munições de usos restrito e permitido. Segundo a Procuradoria, a posse dos objetos estava irregular, pois o endereço declarado pelo ex-deputado ao Comando do Exército não correspondia ao registrado. Além disso, a carabina foi comprada quando já estava em prisão domiciliar.

    “No que concerne às munições, acrescente-se que, segundo o Comandante da 11.ª Região Militar, ROBERTO JEFFERSON informou a aquisição, nos últimos 12 meses, de apenas 50 munições de calibre .9mm e de 100 munições de calibre .38, o que evidencia a posse clandestina do acervo restante de 8.182 munições (de usos permitido e restrito)”, relata o documento.

    Diante dos fatos narrados, o Ministério Público Federal pede que a Justiça aceite a denúncia e torne réu Roberto Jefferson.