MPF prorrogará investigação de vazamento de operação da PF para Flávio Bolsonaro

Procedimento foi aberto em maio, após denúncias do empresário Paulo Marinho, suplente do filho do presidente no Senado

O senador Flávio Bolsonaro durante sessão de comissão mista
O senador Flávio Bolsonaro durante sessão de comissão mista Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado (9.abr.2019)

Leandro Resende, da CNN

do Rio de Janeiro

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O Ministério Público Federal irá prorrogar por mais 90 dias a investigação sobre a suspeita de vazamento da Operação Furna da Onça, da Polícia Federal, para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). O procedimento foi aberto em maio, após entrevista do empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, ao jornal Folha de S. Paulo. Segundo ele, após o segundo turno das eleições de 2018, o filho do presidente Jair Bolsonaro soube de um delegado da PF que o nome de seu assessor Fabrício Queiroz aparecia em meio a investigações sobre deputados estaduais do Rio. Por essa razão é que Queiroz e a filha, Nathália, funcionária no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, foram exonerados.

Por regra do Ministério Público Federal, o procedimento investigatório criminal que investiga o vazamento deveria ser concluído no dia 18 de agosto – 90 dias após ser aberto. A prorrogação por mais três meses foi confirmada à CNN pelo procurador Eduardo Benones, procurador do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial. Isso significa, então, que o MPF deverá responder até novembro se houve vazamento, de onde partiu, quem se beneficiou ou se não procede a história relatada por Paulo Marinho.

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Todos os citados por Paulo Marinho como participantes ou beneficiários do vazamento já prestaram depoimento ao MPF e à Polícia Federal, que também investiga o assunto. Fontes que atuam nas duas apurações informaram à CNN que, até aqui, há muito material para ser analisado e algumas pessoas ainda precisam ser ouvidas.

Um dos entraves à conclusão da apuração sobre o suposto vazamento é o fato de o advogado Victor Granado Alves ter se beneficiado por um habeas corpus liminar concedido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região e, por isso, não ter prestado depoimento e não ser mais investigado. Segundo Paulo Marinho, ele esteve na porta da Polícia Federal quando a operação vazou e na reunião em que o senador teria admitido ter recebido informação privilegiada. O MPF quer ouvi-lo e recorreu do habeas corpus. O TRF-2 ainda irá marcar julgamento definitivo.

Já foram requisitadas, por exemplo, imagens e informações sobre a entrada da Superintendência da Polícia Federal, no centro do Rio, onde teria acontecido o encontro no qual houve o vazamento do envolvimento de Queiroz na Furna da Onça.

Prestarão depoimento, ainda, a filha de Queiroz, Nathália, e os policiais federais que participaram das investigações.

Os investigadores também têm em mente a realização de uma acareação entre Flávio Bolsonaro e Paulo Marinho, para que sejam confrontadas as duas versões. Ainda não há data para que o encontro aconteça.

A defesa do senador Flávio Bolsonaro vê com tranquilidade a prorrogação das investigações sobre supostos vazamentos na operação Furna da Onça. Todos os esclarecimentos sobre o tema já foram dados ao Ministério Público e, ao final da investigação, ficará provado tudo o que foi dito pelo parlamentar.

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