Não estaria de tornozeleira se tivesse tantas relações, diz Vorcaro à PF

Daniel Vorcaro negou irregularidades na venda do Banco Master ao BRB. Ele, entretanto, admitiu problema de liquidez e que o banco usava o PGC como modelo de negócio

Caio Junqueira, Jussara Soares e Mateus Salomão, da CNN Brasil, São Paulo e Brasília
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Em depoimento à PF (Polícia Federal), o banqueiro Daniel Vorcaro rebateu a alegação de ser influente em Brasília e manter relação com autoridades poderosas.

Na oitiva, o dono do Banco Master afirmou que, se tivesse tantas relações políticas, não estaria usando tornozeleira eletrônica.

“Eu queria só dizer o seguinte…. se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, disse Vorcaro em trecho do depoimento obtido pela CNN Brasil.

Vorcaro foi preso pela PF em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando embarcaria para Dubai para fechar negócios. Após a prisão, ele foi encaminhado para uma cela na superintendência da PF.

No mesmo dia, o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, na esteira de investigações da Polícia Federal envolvendo emissões de títulos e suspeitas na gestão da instituição.

Ainda no depoimento à PF, Vorcaro negou irregularidades na transação com o BRB e afirmou que o negócio foi construído “tecnicamente dentro do Banco Central”.

“Fica a frustração minha, porque não era para a gente estar aqui nessa sala e com essa exposição toda para o país, porque o prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro”, lamentou.

Segundo Vorcaro, até o dia em que a autoridade monetária decretou a liquidação do Master, “todo mundo estava recebendo em dia”. O banqueiro disse que estava conseguindo honrar os compromissos e que o desfecho poderia ter sido positivo.

“Então, não teve facilitação política. Eu estive com o governador, sim, algumas vezes, porque ele era um controlador indireto, mas não teve nenhum tipo de questão tratada, nesse caso o BRB, que não fosse técnica”, disse, em relação ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).