Não podemos permanecer inertes, diz ministro do STM sobre sanções dos EUA

Artur Vidigal de Oliveira leu uma carta de apoio ao STF na retomada dos julgamentos na Corte militar

Leonardo Ribbeiro, da CNN, Brasília
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Na retomada dos trabalhos no STM (Superior Tribunal Militar), nesta sexta-feira (1º), o ministro Artur Vidigal de Oliveira leu uma carta em defesa do STF (Supremo Tribunal Federal), em razão das sanções impostas a integrante da Corte pelo governo dos Estados Unidos.

O ministro enfatizou a necessidade de reafirmar os princípios constitucionais que sustentam a magistratura. “É com um profundo senso de urgência e responsabilidade que, neste momento, presto solidariedade ao STF e reafirmo os pilares que sustentam a existência do Poder Judiciário. Este ato transcende a formalidade: é um escudo erguido em defesa da dignidade da justiça e da segurança jurídica em nosso país”, afirmou.

Vidigal repudiou o que classificou como tentativas de intimidação institucional. “Não podemos permanecer inertes diante de ataques que, sob falsa retórica, buscam deslegitimar magistrados e subverter a ordem constitucional. Quando se tenta pautar o Judiciário pela força ou pela ameaça, substitui-se a balança da Justiça pela vontade da turba. Isso é inaceitável”.

Em sua fala de desagravo, intitulada “A Defesa Inegociável da Independência Judicial”, o ministro acrescentou que “este não é um momento apenas de solidariedade ao Supremo Tribunal Federal e aos seus eminentes membros, mas de reafirmação categórica e inegociável dos pilares que sustentam a própria existência do Poder Judiciário. O ato que apresento para constar em ata é um grito de alerta, um escudo em defesa da dignidade da justiça e da segurança jurídica em nosso país”.

O ministro também alertou para os riscos institucionais da decisão americana.

“Não podemos, em hipótese alguma, permanecer inertes diante de ataques que, sob o manto de uma falsa retórica, buscam deslegitimar a atuação de magistrados e, em última instância, subverter a ordem constitucional. Os atos de intimidação e as ameaças dirigidas a ministros do STF não são apenas ataques pessoais; são agressões diretas à instituição que representa o ápice da jurisdição em nosso país”.

A manifestação do ministro Vidigal foi endossada pelo procurador-geral de Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, que também defendeu a autonomia do Judiciário frente a pressões externas. Ao final das manifestações, o ministro Francisco Joseli Parente Camelo, que presidia a sessão, determinou que o desagravo fosse registrado em ata.