‘Não sou do clube do Bolinha’, diz Marco Aurélio sobre interpretar Constituição

Ministro é conhecido por fazer tudo do jeito dele e não combinar nada, nem mesmo naquilo que poderia pacificar o STF

O ministro Marco Aurélio Mello durante sessão do STF
O ministro Marco Aurélio Mello durante sessão do STF Foto: Adriano Machado/Reuters (17.out.2020)

Basília Rodriguesda CNN

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Ministros do grupo que votou contra a mudança de interpretação da Constituição, contra a reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, recusam a acusação de quebra de confiança e negam que tenham fechado algum tipo de acordo para votar no sentido oposto, aquele proposto pelo relator do caso, Gilmar Mendes.

O episódio desta semana acabou por colocar do mesmo lado ministros que até poucos meses bateram boca, Luiz Fux e Marco Aurélio. Há tempos, o clima na colenda corte de Justiça não vai bem. Eles continuam sem conversar direito. Mas, ao menos neste assunto, optaram por uma leitura da Constituição ao pé da letra, também livres dos julgamentos da opinião pública – que aparentemente teria se colocado como a maior defensora da carta magna, fazendo as vezes de quem deveria ser o guardião. “Não faço parte do clube do Bolinha. Não gosto de conversar sobre conflito, que não foi solucionado”, afirmou Marco Aurélio à coluna. O ministro é conhecido por fazer tudo do jeito dele e não combinar nada, nem mesmo naquilo que poderia pacificar o tribunal. Fux tem afirmado a interlocutores que ninguém assinou contrato, nem carta promissória com ele. De uma coisa, ninguém tem dúvidas, Fux agiu como agiu para mostrar quem é o presidente do tribunal. Reflexo ainda da invejada articulação que alçou Nunes Marques ao cargo de ministro, da qual Fux não participou, sob as bênçãos de Gilmar Mendes e Dias Toffoli, ambos ex-presidentes do tribunal.

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A articulação no caso de momento teria ficado em boa parte nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que transita bem entre os dois grupos, dentre muitos motivos, o mais básico: ele conversa com todos os ministros já que há exemplos daqueles que decretaram o fim de papo.

Nessas horas, qualquer palavra torta vira motivo de assunto. É o caso da decisão de Moraes, assinada nesta segunda-feira, sobre a responsabilidade do plenário em decidir sobre o eventual depoimento de Jair Bolsonaro no inquérito proposto por Sérgio Moro. O ministro fez questão de escrever SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL sempre assim em letras garrafais. O último parágrafo está repercutindo até agora. Nele, Moraes enaltece que o caso tem que ser pautado em plenário com “urgência”, chama a responsabilidade do presidente do tribunal, Luiz Fux, citado nominalmente ao lado de um provocante “excelentíssimo”.

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Sabemos o que esses pronomes quando colocados sem necessidade significam. A cobrança interna por um placar que não veio recaiu também sobre o gabinete do ministro Luís Roberto Barroso. A interlocutores, ele é categórico: não prometeu nada a ninguém. Mas a história, nem de todo, é exagerada. Barroso deixou “uma porta aberta” e na semana anterior ao julgamento ainda estaria “com dúvidas” sobre o voto, abrindo-se à possibilidade de moldar o seu pensamento para um lado ou para outro. Após o processo de maturação, optou por dar um “NÃO” a Maia e Alcolumbre novamente no poder, ao menos, “não” em mandatos consecutivos na mesma legislatura.

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