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    “Negacionismo obscuro” faz parecer que 8 de janeiro foi “domingo no parque”, diz Moraes

    "As pessoas vieram, pegaram ticket, entraram na fila, assim como fazem no Hopi Hari ou na Disney”, afirmou ministro do STF

    Ministro do STF Alexandre de Moraes, em sessão de 13 de setembro, na qual começaram a ser julgados os primeiros réus por envolvimento no 8 de janeiro.
    Ministro do STF Alexandre de Moraes, em sessão de 13 de setembro, na qual começaram a ser julgados os primeiros réus por envolvimento no 8 de janeiro. Rosinei Coutinho/SCO/STF

    Lucas Mendesda CNN

    Brasília

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse, nesta quarta-feira (13), que o “terraplanismo” e o “negacionismo obscuro” de algumas pessoas “faz parecer que no 8 de janeiro tivemos um domingo no parque”.

    “As pessoas vieram, pegaram ticket, entraram na fila, assim como fazem no Hopi-Hari ou na Disney. ‘Agora vamos invadir supremo’. Como se fosse possível: ‘Agora vamos orar da cadeira do presidente do senado’. É tão ridículo ouvir isso”, declarou.

    A fala foi feita no início do voto do magistrado, em sessão da Corte que julga os primeiros quatro réus acusados de participar da execução do vandalismo às sedes dos Três Poderes.

    Conforme Moraes, os inquéritos na Corte sobre os ataques analisam “todas as condutas” dos “golpistas”.

    “Todas as condutas dessas pessoas que, como ficará demonstrado ao longo do voto, tramaram contra estado democrático de Direito, contra um governo democraticamente eleito, contra esse Supremo”, afirmou.

    “Esses extremistas são a minoria, a minoria da população e isso ficou demonstrado nas urnas e isso fica demonstrado nos atos golpistas em que uma minoria praticou. Isso foi repudiado pela população brasileira, pela população ordeira, digna”, acrescentou.

    O STF julga Aécio Lucio Costa Pereira, um dos réus acusado de participar dos ataques que levaram à depredação das sedes dos Três Poderes. A Corte deve retomar a análise às 14h com a continuidade do voto de Moraes.

    O Supremo começou a julgar, nesta quarta, os primeiros réus denunciados por participar do vandalismo em 8 de janeiro.

    Aécio Pereira responde pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

    Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de reclusão. A defesa defendeu a absolvição do réu, diante da falta de individualização das condutas e por entender que faltaram provas para confirmar as condutas imputadas.

    Ao iniciar seu voto, Moraes rejeitou as argumentações feitas pela defesa de que o STF não teria competência para analisar os casos do 8 de janeiro e de que os ministros seriam suspeitos para julgar os processos.

    Conforme o ministro, ao receber as denúncias oferecidas pela PGR contra os réus, os ministros da Corte já entenderam que há competência do Supremo. Moraes disse que há conexão do caso dos executores dos vandalismos com pessoas com foro na Corte.

    Defesa

    Em sustentação oral no STF nesta quarta-feira (13), a defesa de Aécio Pereira afirmou que o STF não tem legitimidade para julgar o caso.

    O advogado Sebastião Coelho da Silva disse que o julgamento no STF dos réus pelos atos de 8 de janeiro é “político”.

    Ao rebater as acusações imputadas ao réu, Silva disse que não havia armas com Aécio quando ele foi preso. “Tentar dar golpe de estado sem arma. As armas que temos aqui neste processo são canivetes, bolinhas de gude, machado. São as armas para o golpe de Estado. Não tinha nenhum quartel de prontidão. Quem iria assumir o poder?”.

    Silva disse que Aécio não praticou nenhum ato de violência e que não há provas ou imagens de que ele teria colaborado com as depredações do Congresso.

    O advogado também afirmou que seu cliente é vítima de “tortura psicológica” por estar preso há oito meses sem ter contato com a família.

    Veja também: STF julga primeiros quatro réus por depredação do Congresso e Planalto no 8/1