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    Novo comandante do Exército defende punição a militares e pacificação, dizem interlocutores do governo

    Para o general Tomás Paiva, o melhor caminho para pacificar a relação é haver gestos de lado a lado, segundo fontes do governo

    Caio Junqueira

    O novo comandante do Exército, general Tomás Paiva, defendeu em conversas com a cúpula do governo Lula que haja desde já um processo de pacificação entre o Executivo e as Forças Armadas, segundo fontes do governo ouvidas pela CNN.

    O general defendeu ainda que os militares que de alguma forma atuaram nos atos golpistas de 8 de janeiro recebam punições exemplares.

    Também reafirmou a ideia de que as Forças Armadas são instituições de estado e não de governo e que elas têm compromisso com estado democrático de direito e com a Constituição.

    Para ele, de acordo com as conversas que teve, o melhor caminho para pacificar a relação é haver gestos de lado a lado.

    Pelo Exército, a punição exemplar de militares envolvidos no 8 de janeiro deverá ser uma linha da sua gestão, até mesmo para mostrar a diferença em relação ao fato de o Exército não ter punido o general Eduardo Pazuello quando ele subiu em um palanque no Rio de Janeiro com o então presidente Jair Bolsonaro.

    As eventuais falhas de militares ao não proteger o Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro também serão foco de investigações do Exército.

    Muito embora as avaliações iniciais da Força apontem que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) falhou ao não pedir reforço de tropas após alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na véspera de que as manifestações miravam o Planalto.

    O Batalhão da Guarda Presidencial, responsável por proteger o palácio, é formado por militares das Forças Armadas.

    Além disso, a ideia do novo comandante, segundo relatos de fontes do governo, é também rever processos internos e liderar um processo de despolitização dos quartéis após a era Bolsonaro.

    Por outro lado, ele tem avaliado a interlocutores a permanência da figura dos ajudantes de ordens militares do presidente da República, que até agora está indefinido se existirá por desconfiança de Lula quanto aos militares.

    Também considera que a segurança de presidentes da República devem ser feitas por militares, que teriam maior expertise para a função.

    O atual governo, também por desconfiança, pretende deixar que a Polícia Federal cuide da segurança do presidente.

    Ele deve levar essas mensagens, em especial a pacificação e a necessidade de punição exemplar, na reunião do Alto Comando do Exército que deve ocorrer nesta terça-feira (24).

    O tom é semelhante ao que, segundo fontes militares, ele já vinha defendendo em reuniões do Alto Comando após as eleições.

    No colegiado, ele defendeu que o Exército deveria assegurar a posse do presidente eleito sem sobressaltos e que eventuais contestações de resultados eleitorais deveriam ser endereçadas à Justiça Eleitoral, e não às Forças Armadas.

    Essa posição acabou sendo majoritária no colegiado, mas fez com que ele e outros generais, como o comandante militar do Nordeste, Richard Nunes, e o chefe do Estado-Maior, general Stumpf, virassem alvo das redes sociais bolsonaristas, como mostrou a CNN.

    Essas posições internas pró-respeito ao resultado das urnas dentro do Exército foram fundamentais para que seu nome fosse escolhido, assim como os relatos que chegaram ao governo da forma como ele conduziu o Comando do Sudeste em novembro e dezembro.

    Além, claro, do fato de o antigo comandante não ter demitido o coronel Cid, ligado a Bolsonaro, do comando de um pelotão em Brasília, e de ter sido considerado pelo Planalto leniente com os acampamentos em frente à sede do Exército em Brasília.

    Em São Paulo, onde comandava o Comando Militar do Sudeste, a atuação do novo comandante foi considerada exemplar pelo governo e ajudou na sua nomeação.

    A orientação dele para os subordinados foi de que não se contaminassem com as manifestações em frente aos quartéis pelo estado de São Paulo, em especial as que ocorreram em frente ao Comando, onde centenas de pessoas se amotinaram a partir do dia 1 de novembro.

    Houve uma média em todo o estado de 1.100 manifestantes por dia acampados em frente aos quartéis e nenhum relato de violência, ao contrário de Brasília.

    Em conversas recentes com interlocutores, ele disse que o país só será uma democracia sólida quando não mais existir perguntas sobre se haverá um golpe de Estado.

    Procurado pela CNN, o general Tomás Paiva não quis se manifestar.