Número de abstenções foi melhor do que imaginávamos, diz Barroso

Segundo o presidente do TSE, houve um comparecimento massivo das eleições, ainda mais em meio à uma pandemia, com 70,53% de eleitores indo às urnas

Gabriela Coelho, Carla Bridi e Rachel Vargas,

da CNN, em São Paulo

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, afirmou, neste domingo (29), que houve um comparecimento massivo das eleições com 26.610.978 eleitores (70,53%), abstenção de 11.116.373 (29,47%), votos brancos em 1.035.217 (3,89%) e nulos em 2.344.085 (8,81%). 

“Tradicionalmente a abstenção no segundo turno é maior do que o primeiro turno. Evidentemente é um índice maior do que desejaríamos, mas temos que considerar que realizamos eleições em meio à uma pandemia”, disse ele.

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“Quando começou, havia um temor que teríamos 50% de abstenção, mas tivemos 29%. Se eu acho bom? Não. Mas nas condições em que estamos, foi melhor do que se imaginaria”, disse o presidente do TSE.

O ministro ainda disse que 649 mulheres foram eleitas prefeitas e 885 vice-prefeitas. “Cerca de 12% das prefeitas são mulheres. É baixo, mas se elevou em relação a pleitos anteriores. Além disso, houve um aumento de 29% para 32% de candidatos pretos/pardos”, disse.

Fraude

Barroso também disse que nunca houve apresentação de prova de “qualquer aspecto fraudulento” no sistema eleitoral brasileiro.

Em coletiva, o presidente do TSE afirmou que explicaria, novamente, todo o processo relacionado às urnas eletrônicas (e sua segurança) para aquelas “pessoas que não tenham entendido”. Mas lembrou que há pessoas que não querem ter essa compreensão. “Aí não há remédio na farmacologia jurídica para sanar o problema”, disse Barroso.

Sobre a volta do voto impresso, Barroso afirmou que STF já decidiu pela inconstitucionalidade do voto impresso. 

“Não tem como hoje no Brasil existir isso. Respeitando a opinião do presidente, penso que o voto impresso traria grande tumulto para o processo eleitoral brasileiro”, disse ele.

“Todo candidato derrotado iria pedir recontagem e judicialização do processo eleitoral. Considero que traria um grande tumulto. É mais ou menos como mexer drasticamente num time que está ganhando. Se houver algo de fraude, vou pedir para apurar. Sou juiz, trabalho com provas”, disse. 

Primeiro turno

Barroso lembrou dos problemas que aconteceram no primeiro turno e lamentou. Segundo ele, no entanto, não houve problemas relevantes. “Houve um atraso de 2h50 na divulgação do primeiro turno, mas foi uma falha na inteligência artificial do supercomputador”, disse.

Segundo o presidente do TSE, a falta de tempo hábil para fazer testes acabou atrapalhando a eleição no primeiro turno.

“O atraso não teve relação com ataques hackers. Foi um problema interno consertado em tempo brevíssimo”, disse. Ainda de acordo com Barroso, o atraso não repercutiu sobre a fidedignidade das eleições.

Ele reiterou que as acusações de fraudes não tem fundamentos. Como as urnas não ficam em rede, não são passíveis de invasão de hackers.

“Elas são carregadas individualmente com informações. Esse programa carregado nas urnas é submetido à conferência de partidos, MP, OAB e outras que avaliam a autenticidade. Logo depois, é lacrado e colocado em sala-cofre. Esse programa não pode ser fraudado”, afirmou.

“No dia da votação, a urna emite um boletim apelidado do zerésima para mostrar que não tem votos. Logo depois da votação, há um novo boletim que é afixado na sessão para que qualquer pessoa possa ver. A partir daí, há o resultado”, disse. “Não há como fraudar nem antes e nem depois da eleição. Esses boletins são transmitidos ao TSE em uma rede criptografada.”

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