Eleições: 9 prefeitos são reeleitos em capitais, 6 a menos que em 2016

Em 2016, nas capitais, 15 dos 20 prefeitos que concorreram foram reeleitos

Anna Gabriela Costa, colaboração para CNN Brasil
29 de novembro de 2020 às 20:55 | Atualizado 29 de novembro de 2020 às 21:43
"Santinhos" jogados no chão perto do local de votação
Foto: José Brito - 15.nov.2020 / CNN


Dentre as 26 capitais brasileiras que foram às urnas neste ano, 13 cidades tiveram o atual prefeito disputando a reeleição nas eleições de 2020 - e, destes, 9 foram reeleitos.

Com este dado, a eleição deste ano não ultrapassa a de 2016 em número de prefeitos reeleitos nas capitais, ano em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a compilar as estatísticas referentes à índice de reeleição. Em 2016, nas capitais, 15 dos 20 prefeitos que concorreram foram reeleitos. O segundo turno foi realizado neste domingo (29), em 57 municípios brasileiros, sendo 18 capitais. 

Dos 13 atuais prefeitos de capitais que não disputaram esta eleição, 12 encerram este ano o segundo mandato, desta forma, não poderiam se candidatar. Apenas um político absteve-se da corrida pelo segundo mandato.

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Isto explica o número menor de reeleitos em capitais este ano, já que, de acordo com o cientista político da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), Claudio Couto, a reeleição de candidatos é uma tendência normal historicamente. 

“O incumbente tende a ser reeleito se ele tiver uma avaliação razoável, o eleitorado não quer trocar o certo pelo duvidoso. O eleitor está votando pela segurança, em casos que já conhece”, afirma Couto. 

Para o cientista político, especialista em técnicas de pesquisa, David Fleischer, os atuais prefeitos têm a máquina a seu favor para empenhar-se mais nas campanhas. 

“Usualmente o prefeito que procura a reeleição tem toda a máquina a seu dispor. A reeleição aqui no Brasil tem outros aspectos, às vezes o prefeito já foi reeleito, mas ele muda seu domicílio eleitoral para um município vizinho, isso costuma acontecer em cidades menores. E, em quatro anos ele volta”, afirma Fleischer.

O resultado da votação neste segundo turno reelegeu como prefeito nas capitais Bruno Covas (PSDB), em São Paulo (SP), Edvaldo Nogueira (PDT), em Aracaju (SE), Hildon Chaves (PSDB), em Porto Velho (RO) e Emanuel Pinheiro (MDB), em Cuiabá (MT). 

Ainda no primeiro turno, cinco capitais brasileiras já haviam consolidado seus atuais prefeitos como reeleitos, como em Curitiba (PR), com Rafael Greca (DEM); em Belo Horizonte, com Kalil (PSD); em Campo Grande (MS), com Marquinhos Trad (PSD); em Natal (RN), com Álvaro Dias (PSDB); e em Florianópolis (SC), com Gean Loureiro (DEM).

A cidade de Macapá teve a eleição suspensa devido ao apagão que atingiu o Amapá nas últimas semanas. O primeiro turno na capital amapaense será em 6 de dezembro e o segundo turno, caso necessário, será em 20 de dezembro. 

Além disso, a capital federal, Brasília, não tem disputa para o cargo de prefeito, já que o chefe do Executivo é o governador.

O prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, reeleito pelo PSD
Foto: Divulgação/PSD


 

Municípios 

A eleição de 2020 aponta um crescimento em relação à 2016 no número de prefeitos que se candidataram à reeleição. Segundo dados do TSE, 3.082 prefeitos buscaram a reeleição no pleito de 2020, equivalente a 55,3% no total.

Nas últimas eleições municipais, foram 2.945 prefeitos candidatos à reeleição e 1.385 obtiveram êxito no resultado, um índice de 47% de aprovação.  

O número exato de prefeitos que foram reeleitos em 2020 será avaliado pelo TSE e disponibilizado para análise dentro de alguns dias, após a consolidação dos dados. 

Para Claudio Couto, cientista político da FGV, as eleições de 2016 e 2018 foram mais atípicas que esta, onde muito candidato se apresentou como outsider. 

“Este ano houve um retorno ao voto mais tradicional, é coerente. Em 2018, o presidente Jair Bolsonaro apresentou-se como outsider, mesmo não sendo, o governador João Dória apresentava-se como empresário, também outsider. Este ano se estabilizaram mais os candidatos convencionais”, explica.