O abismo brasileiro

Não se trata de uma eleição em busca de excelência, mas de menos rejeição

Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Boris Casoyda CNN

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A campanha eleitoral, já em pleno andamento, demonstra claramente a desconexão entre políticos brasileiro e a população do país. E o Judiciário (vamos fingir que não é um Poder político), através do Supremo Tribunal Federal, não escapa desse quadro. Basta passar os olhos pelas propostas dos candidatos à Presidência da República para sentir o abismo entre política e população. E conhecer decisões do STF para sentir o que acontece com a Justiça. Com pouquíssimas ideias e sem projetos realistas para o país, a campanha se encaminha para um buraco negro onde prevalece o nada.

O candidato neste momento favorito nas pesquisas, Lula, não apresenta sequer o básico do básico. Sente-se no direito de não levar à população um esboço do que seria a condução da política econômica em seu governo, se for eleito. Aliás, ele e Bolsonaro, o segundo colocado, se equivalem na prática populista que tem iludido o Brasil nas ultimas décadas. Certamente, por isso, as pesquisas mostram que a vitória ficará, se um segundo turno se der entre ambos, com aquele que tiver menor rejeição. Não se trata de um pleito em busca de excelência, mas de menos rejeição.

Enquanto o presidente Bolsonaro busca contornar com medidas paliativas os dilemas que o destino lhe colocou pela frente, e Lula desconhece a catástrofe causada pelos governos do PT, surge com ares de luz no fundo do túnel uma chamada terceira via, que gira em torno apenas de nomes e não de ideias. As dificuldades que essa terceira via têm pela frente são enormes, porque luta contra a candidatura de um presidente da República e um ex-presidente, cujos nomes estão muito presentes na memória dos eleitores.

O panorama brasileiro – essa desconexão entre política e população -,não terá solução imediata. Mas precisa ser combatida com algumas medidas básicas que aí estão. É necessário romper barreiras, buscando dar oportunidade a um sem número de brasileiros para que participem efetivamente da vida política nacional. Precisamos de partidos de verdade, internamente democráticos, e não acampamentos de interesses, que deveriam ser regidos pela Lei do Inquilinato.

Uma reforma de cabo a rabo do Judiciário é necessária e urgente, de modo a fazer justiça de maneira rápida e eficiente. E, além de tudo, impor um sistema moderno de Segurança Pública, com leis que privilegiem a cidadania. Urge também um combate duro & agrave; corrupção, acabando com a impunidade, que solta bandidos de todos os matizes e leva ao absurdo de um juiz que combateu corruptos e corruptores ser castigado por ter cumprido a lei.

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