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    O que pensam membros do Conselho de Ética da Câmara do Rio sobre o caso Jairinho

    Integrantes do colegiado comentaram a investigação que envolve o vereador, suspeito de assassinar enteado

    O vereador Dr. Jairinho; ele foi preso nesta quinta-feira (8) em investigação sobre a morte do filho da namorada
    O vereador Dr. Jairinho; ele foi preso nesta quinta-feira (8) em investigação sobre a morte do filho da namorada Foto: Renan Olaz/CMRJ

    Stéfano Salles, da CNN no Rio de Janeiro 

     

    Em prisão provisória por 30 dias, em Bangu 8, investigado pela morte do enteado Henry Borel de Medeiros, de quatro anos, o vereador Dr. Jairinho terá seu futuro político definido pelo Conselho de Ética da Câmara Municipal do Rio. Na quinta-feira, o órgão, que tem sete membros, Dr. Jairinho entre eles, mas agora afastado, decidiu por unanimidade suspender o médico do colegiado. Agora, o conselho pedirá acesso aos autos para embasar uma possível representação, que pode resultar na cassação do parlamentar de 43 anos, que exerce seu quinto mandato. 

    A CNN ouviu os sete vereadores que fazem parte do colegiado, para entender o que pensam sobre as denúncias e acusações. A próxima sessão do órgão deve ser marcada no início da próxima semana, quando espera já ter recebido os documentos solicitados ao Tribunal de Justiça (TJ/RJ) para embasamento de uma eventual representação contra o parlamentar. 

     

    A CNN procurou a defesa do vereador Dr. Jairinho, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

    Alexandre Isquierdo (DEM), presidente do Conselho de Ética

    “Não existe corporativismo. Fomos pegos de surpresa por essa notícia trágica e, de imediato, convoquei uma reunião, para que a gente pudesse tomar a decisão cabível ao Conselho de Ética. De início, afastá-lo, porque ele é membro desse conselho. Será deliberado, receberemos representações de outros vereadores. Decidimos, de forma cautelar, unânime, afastá-lo. Claro que estamos todos perplexos com esse crime hediondo, nossa atitude foi a de afastá-lo, de imediato. 

    Não podemos extrapolar o que diz o regimento da Casa ou do Conselho de Ética no momento, não podemos extrapolar nossas funções. É um caso inusitado, não quero ser leviano e precipitado e dizer que ele pode perder o mandato. Vamos fazer diligências, solicitar acesso aos autos, ao Tribunal de Justiça, para fazer uma representação, que pode ser até de cassação de mandato. Há todo um rito na Câmara para isso. A Polícia Civil faz um excelente trabalho de investigação, o Ministério Público, e o Conselho de Ética está muito atento a esse fato”. 

    Chico Alencar (PSOL) 

    “O Conselho de Ética da Câmara do Rio decidiu excluir o vereador Jairo do colegiado que fazia parte e requisitar à Justiça todos os elementos que o levaram à prisão, para fortalecer e dar robustez a uma representação possível. O PSOL fará uma representação para cassar seu mandato e pedirá à Justiça o afastamento do vereador de suas funções”. 

    Luiz Carlos Ramos Filho (PMN) 

    “É uma questão extremamente grave. Eu sou suplente, esperava assumir por alguma falta, pedido de licença, mas não imaginava assumir a vaga na Comissão de Ética dessa forma, por essa acusação. Fui convocado ontem para assumir a vaga. Os autos vão embasar uma eventual representação. Fiquei bastante impressionado, não consegui nem dormir a noite. Tenho uma filha de cinco anos e outra de dez. O garotinho de quatro anos é um pouco menor que minha filha. A mãe ali tinha o dever moral, legal, de proteger a criança. 

    O encaminhamento de consenso é representar contra o vereador mas, para isso, a gente precisa respeitar o rito. Com cautela, tranquilidade, para fazê-la de forma fundamentada. É um clima triste, principalmente pela criança, pela vida perdida. Indefesa. E também por ser um membro da Casa, um poder que está ali para representar e proteger a população, esse é o sentido da representação popular. Tanto que a Câmara Municipal é repleta de comissões permanentes, que existem para garantir esse papel, de cuidado e amparo”. 

    Rogério Amorim (PSL) 

    “Recebi a notícia com muita perplexidade. Todo estávamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos há semanas, mas na quinta-feira a situação ficou mais clara. O ambiente é de surpresa geral. Sou um vereador de primeiro mandato e Jairinho foi um dos que melhor me receberam aqui. É uma pessoa doce, que me apresentou com atenção a rotina de casa. Nós fizemos o que o regimento permitia, mas ele é antigo, muito engessado e ainda precisa passar por reformas importantes. A casa toda está muito comovida e mobilizada pelo caso”.

    Rosa Fernandes (PSC) 

    “Estou na Câmara há 30 anos e nunca vi isso, é uma situação única. Mesmo as pessoas mais próximas ao vereador estão perplexas, porque elas têm filhos, netos e se colocam no lugar. É uma situação muito traumática para aqueles que convivem com ele. Alguns parlamentares mantinham convivência familiar com Dr. Jairinho. Pelo que vemos nas notícias e pelas manifestações do delegado, há indícios de uma psicopatia. É um processo de alguém que tem um mal que precisa ser tratado urgentemente. Por essas coisas, o sentimento do Conselho de Ética era único, o de que deveríamos nos posicionar. 

    No conselho, fizemos o que era possível por questões regimentais. O que digo é pautado pelo que temos visto na imprensa, não estou fazendo pré-julgamentos. Para termos algo nosso que pedimos acesso aos autos. Nesse processo, seremos muito reféns do Judiciário”. 

     

    Teresa Bergher (Cidadania) 

    “Houve avanços, não tenho dúvidas. Afastar o vereador Jairinho do Conselho de Ética era primordial. Essa foi uma decisão unânime. Fazer um encaminhamento ao Tribunal de Justiça para acesso aos autos e dar a possibilidade de uma representação foi muito positivo. Mas o que eu esperava era uma decisão, para que a gente já saísse com uma representação pelo afastamento. Saímos com a possibilidade disto. Não foi na totalidade, como eu esperava, uma coisa mais célere, mas avançamos bastante”. 

    Zico Papera (Republicanos) 

    “Quando acontece a perda de uma criança de quatro anos de idade, esperamos que seja sempre algo como um acidente. Tenho certeza que as coisas serão feitas dentro do rito da Casa, da forma mais justa possível. Depois ver a conversa da babá (com a namorada de Jairinho e mãe de Henry Borel, Monique) aquilo ali deixou todo mundo consternado. No que depender do Conselho de Ética, e da Casa, tudo será resolvido o mais rápido possível. Será uma decisão justa. Se tiver que ser dura, será dura. Mas sem dúvida será, antes de tudo, uma decisão justa. Todo mundo tem um filho dessa idade, próximo dessa idade ou que teve essa idade. Essa comoção social mostra que nosso povo tem sentimento, amor ao próximo”.