Oposição diz que megaoperação é legítima; governistas criticam letalidade
Mais de 60 pessoas foram mortas até o momento no Rio de Janeiro

A megaoperação no Rio de Janeiro nesta terça-feira (28) motivou reações de apoio e de críticas no Congresso Nacional. A ação foi legitimada e elogiada por integrantes da oposição, enquanto deputados governistas criticaram a letalidade e a violência da ação.
De acordo com o governo do Rio, foi a maior operação da história do estado. A ação no Complexo do Alemão deixou ao menos 64 mortos. São 60 pessoas identificadas como criminosas, além de dois policiais civis e dois policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), segundo as forças de segurança do estado.
Para o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, Paulo Bilynskyj (PL-SP), a operação deve contribuir para acelerar a análise de propostas sobre o assunto no Casa. À CNN, ele defendeu uma “resposta à altura” do Congresso ao crime organizado e criticou “a negativa do governo federal em contribuir com a operação”.
Na mesma linha, o líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), criticou o governo Lula e afirmou que “nenhum agente de segurança deveria enfrentar o tráfico sem respaldo político, sem apoio logístico e sem cobertura federal”.
“A oposição se solidariza com os policiais mortos e feridos, com suas famílias e com toda a população do Rio de Janeiro”, disse. “O desgoverno de Lula precisa escolher de que lado está: do cidadão ou do bandido”, completou Zucco.
Para a líder do PSOL na Câmara, Talíria Petrone (RJ), a política de priorização de uma polícia ostensiva e que ignora políticas de inteligência, são “um banho de sangue” que “mata os policiais que estão ali na ponta, mata os moradores, em especial das favelas e periferias, especialmente negros”.
Ela declarou ainda que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), “é covarde ao culpar o governo do presidente Lula”. A fala reage à declaração do chefe do Executivo local sobre a megaoperação, em que afirmou ter solicitado apoio de blindados ao Exército três vezes, mas que os pedidos foram negados.
“Ele teve seis anos para resolver a situação do drama do Rio e o crime só cresce, o domínio armado dos territórios só cresce”, afirmou a líder do PSOL à CNN.
Castro, por sua vez, negou que tenha tido a intenção de criticar o governo federal.
Líder do PT na Casa, o deputado Lindbergh Farias (RJ) também fez críticas à atuação de Castro. O parlamentar defendeu a aprovação da chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança para dar "força a ações de inteligência e de integração" entre órgãos de segurança da União, Estados e municípios.
"O governador Cláudio Castro insiste em um modelo falido, que ao invés de privilegiar inteligência e integração, prefere operações de guerra, utilizadas há décadas no Rio de Janeiro, sem nenhum resultado concreto, exceto o derramamento de sangue de civis e policiais", disse Lindbergh no X (antigo Twitter).
Segurança na pauta
Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disseram acompanhar “com atenção” a operação no Rio. Hugo destacou aprovações recentes no plenário de matérias sobre segurança e reforçou o compromisso com os projetos sobre o tema e de combate à violência. “Continuaremos focados em avançar nestas pautas”, disse.
Como presidente do Congresso, Alcolumbre disse que o Legislativo “seguirá atento ao desenrolar da crise e coloca-se à disposição para contribuir, de forma responsável e democrática, com soluções legislativas que fortaleçam a segurança pública, o combate ao crime organizado e a proteção da vida dos brasileiros”.
Diante da operação, a base do governo Lula (PT) reforçou a cobrança pela tramitação da PEC da Segurança. A demanda foi reforçada pela ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que cobrou ao Congresso pela aprovação da matéria. “Ficou mais uma vez evidente a necessidade de articulação entre forças de segurança no combate ao crime organizado”, disse.
“Os violentos episódios desta terça-feira no Rio, com dezenas de mortes, inclusive de policiais, boqueio de rodovias e ameaças à população, ressaltam a urgência do debate e aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional”, escreveu Gleisi no X.


