Oposição mira Jorge Messias e defende convocação na CPMI do INSS

Advogado-geral da União é o favorito para vaga no STF (Supremo Tribunal Federal); governistas avaliam haver uma "campanha" contra a indicação

Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília
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Congressistas da oposição defenderam nesta terça-feira (18) a convocação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para comparecer na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Messias é o favorito para indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Em reunião da CPMI, parlamentares, incluindo o relator, Alfredo Gaspar (União-AL), defenderem a necessidade de ouvir esclarecimentos do AGU sobre a suposta blindagem, em 2024, de pedidos de bloqueios judiciais do Sindnapi-FS (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical).

A entidade tem como vice-presidente, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, que é irmão de Lula. Deputados também fizeram apelos nesta terça pela convocação do dirigente sindicalista.

 

"Acredito que nós temos a obrigação de convidar ou convocar o senhor Messias, para prestar depoimento nesta comissão, sob pena de prevaricação nossa", afirmou Alfredo Gaspar, que é vice-líder da oposição na Câmara.

O relator disse ser "prudente" ouvir Messias e afirmou que o advogado-geral é "um personagem que está para ir para a Suprema Corte". Os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Evair de Melo (PP-ES), também vice-líderes da oposição, reforçaram o coro em prol da convocação de Messias.

"Ele [Messias] tem que ser sabatinado aqui, tem que ser sabatinado na CPMI. A gente quer entender por que, sabendo de toda essa fraude, tendo acesso a todas essas informações, ele não fez nada e só fez quando ocorreu a Operação Sem Desconto", declarou Jordy.

Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) indicou ter ocorrido "prevaricação" na atuação da AGU e afirmou que irá "representar para que isso seja apurado nos órgãos competentes".

Em outra frente, integrantes da base aliada do governo avaliaram haver uma "campanha" contra a indicação de Messias ao STF e rebateram as acusações. "Claramente, uma campanha contra o Messias. Vieram para aqui ofender o Jorge Messias", disse o deputado Rogério Correia (PT-MG).

O nome de Messias enfrenta resistência no Senado – onde o indicado do governo será sabatinado –, mas é a escolha de Lula para a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no STF. Como a CNN mostrou, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) foi informado por Lula que não será escolhido para a vaga.

Na CPMI, deputados do PT saíram em defesa de Messias. "A AGU entrou com as ações cautelares no tempo do andamento das investigações seguindo o próprio calendário das iniciativas da CGU [Controladoria-Geral da União]. Não houve alerta ignorado", afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro do governo Lula.

O primeiro vice-líder do governo na Câmara, Alencar Santana (PT-SP), destacou que a AGU é um "órgão técnico" e foi a responsável por abrir processos para reaver o dinheiro de aposentados e pensionistas prejudicados pelas fraudes do INSS. "Parece que eles querem atacar aqueles que estão investigando", disse.

A CNN Brasil questionou a AGU sobre as declarações de parlamentares em prol da convocação do advogado-geral da União e aguarda resposta.