Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Ordem para Lessa assassinar Marielle foi dada na manhã do dia do crime, aponta delação

    Lessa diz que já estava "ansioso" pela ligação

    Marielle tinha uma reunião marcada no centro do Rio de Janeiro à noite no dia do seu assassinato
    Marielle tinha uma reunião marcada no centro do Rio de Janeiro à noite no dia do seu assassinato Reprodução/Instagram

    Maria Clara Matosda CNN* São Paulo

    Ronnie Lessa, que confessou ter assassinado a ex-vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, revelou em uma delação premiada que a ordem de assassinar Marielle foi dada na manhã do crime, dia 14 de março de 2018. Eles foram assassinados naquela noite.

    Lessa conta que recebeu uma ligação do ex-sargento da Polícia Militar Edmilson Macalé – que servia como uma espécie de intermediário entre ele e os irmãos Brazão, supostamente mandantes do assassinato – por volta de 10h e 10h30 da manhã.

    Ele afirmou que já estava “ansioso” pela ligação e que imaginava que a missão aconteceria naquele dia.

    “A gente já estava esperando a gente esperava esse momento. Já era uma … A gente já estava ansioso por isso, né? Porque estava demorando muito”, disse. “Então, quando ele ligou ele falou assim: ‘Tá preparado?’. Eu falei … É hoje, eu imaginei”, complementa.

    Macalé informou a Lessa que Marielle tinha uma reunião marcada no centro do Rio de Janeiro à noite naquele dia. Ele disse que não estaria presente e que Ronnie Lessa deveria acionar a “pessoa na reserva disponível”. A reunião foi no Instituto Casa das Pretas, e a vereadora foi morta depois do encontro.

    “Ele falou: ‘Realmente teve uma informação, ela tem uma reunião marcada no centro da cidade à noite e … e vamos tentar proceder aí, cara. Só que, mais uma vez eu não estou presente, eu não vou estar presente, e … e você aciona a pessoa que estaria na reserva disponível para isso’”, contou à PF.

    Essa pessoa, segundo Lessa, seria Élcio.

    O depoimento foi dado ao delegado da Polícia Federal (PF) Guilhermo Catramby em 2023, na Superintendência da Polícia Federal no Estado do Mato Grosso Sul. Os depoimentos estavam em sigilo até hoje.

    Macalé foi morto em 2021. A defesa de Lessa, em nota, não comentou a respeito da delação.

    Procurada pela CNN, a defesa do deputado federal Chiquinho Brazão (Sem partido-RJ) declarou que a delação de Lessa “é uma peça de ficção”.

    “Basta uma análise honesta do processo para perceber que estamos diante de um grande erro”, complementou em nota a defesa do parlamentar.

    A CNN entrou em contato com a defesa dos demais citados, mas não obteve retorno até o momento.