Os motivos que aliados de Lula apontam para melhora na popularidade

Governo continua investindo ainda em consolidar o discurso de defesa da soberania nacional

Luciana Amaral, da CNN, Brasília
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Na avaliação de aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a popularidade do presidente vem crescendo devido a uma combinação de fatores internos — e não só por conta do embate direto com Donald Trump e bolsonaristas.

Petistas também atribuem a melhora na popularidade de Lula aos seguintes pontos, por exemplo:

  • a retomada das viagens do presidente pelo país;
  • a melhora na percepção da população sobre as entregas do governo;
  • e um certo controle inflacionário, especialmente de preços de alimentos.

O governo continua investindo ainda em consolidar o discurso de defesa da soberania nacional e acredita ter recuperado algum terreno nas redes sociais, dominada pela direita nos últimos anos.

O resultado da pesquisa é interpretado como um sinal de que a estratégia vem funcionando e reforça a aposta na narrativa de “nós contra eles”, aliada a pautas como a taxação dos super-ricos.

A estratégia de Lula passa por manter as críticas a Jair Bolsonaro (PL) e sua família, na tentativa de atrair eleitores insatisfeitos com a radicalização da direita.

A atuação do deputado federal e filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos pela aplicação de penalizações ao Brasil é constantemente citada como exemplo.

A expectativa de aliados do presidente é de que a divulgação de mensagens trocadas entre bolsonaristas — com xingamentos e disputas internas — amplie ainda mais os índices positivos de Lula.

Para lulistas ouvidos pela CNN, esses episódios ajudam a desconstruir a imagem de unidade da direita e de respaldo do ex-presidente Bolsonaro.

Apesar da briga pelo espólio do ex-presidente, a oposição se movimenta e impõe dificuldades às pretensões de Lula para 2026.

Governadores alinhados à direita, considerados potenciais herdeiros políticos de Jair Bolsonaro, participaram de um jantar organizado pelo Centrão, nesta semana, em Brasília.

O objetivo é claro: articular forças em torno de uma candidatura competitiva ao Planalto contra Lula.

No Congresso, a oposição obteve uma vitória importante na quarta (20), com o controle da presidência e da relatoria da CPMI do INSS.

O discurso bolsonarista é de que pretende fazer o governo “sangrar” no colegiado, com foco nas denúncias de descontos fraudulentos contra aposentados.

Do outro lado, o governo tenta recompor sua base para evitar convocações embaraçosas — como a de Frei Chico, irmão de Lula.

A reorganização é vista como fundamental, embora, até o momento, tenha mostrado poucos resultados concretos.

Outro ponto de embate entre governo e oposição é o projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais, uma das principais vitrines eleitorais do presidente Lula para 2026.

A Câmara aprovou a urgência da tramitação do texto nesta quinta, num gesto do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após a derrota do governo na CPMI.

Apesar da aprovação da urgência, o conteúdo do projeto segue em negociação e ainda não há garantia de que a isenção valerá a partir do próximo ano, como quer o Planalto.