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    Pacheco pauta “Mover” para quarta-feira (29); taxação de “blusinhas” depende de acordo com Planalto

    Se não for aprovado pelo Congresso até sexta (31), programa de incentivo à indústria automotiva perde a validade; "jabuti" no texto prevê taxação sobre compras internacionais, mas trecho enfrenta resistência

    Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, durante cerimônia, em Brasília
    Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, durante cerimônia, em Brasília 01/02/2024REUTERS/Adriano Machado

    Mayara da Pazda CNN

    Brasília

    O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pautou para a quarta-feira (29) o projeto de lei que cria o programa nacional Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que prevê incentivos à indústria automotiva.

    O texto, que ainda precisa do aval da Câmara, porém, enfrenta resistência entre os deputados. Isso porque o relator do projeto, deputado Átila Lira (PP-PI), incluiu um “jabuti” sobre a taxação federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

    Hoje, a orientação do Palácio do Planalto é que a base governista na Câmara vote contra a taxação, argumentando que o assunto seja discutido de forma separada ao projeto de incentivo automotivo.

    A avaliação do governo é que, retirado o trecho da taxação de compras internacionais, a proposta do Mover não enfrentará dificuldade para ser aprovada.

    Mesmo sem acordo sobre a taxação, Átila Lira trabalha para votar o texto nesta segunda-feira (27).

    Se aprovado até terça-feira (28) pela Câmara, o Senado deve votar o texto no dia seguinte. A pressa se dá porque o programa Mover, que foi criado pelo governo via medida provisória, perde a validade na próxima sexta (31) se não for analisado pelo Congresso.

    Conversa com o Planalto

    O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), deve se reunir com líderes partidários ao longo desta segunda e terça para debater o tema.

    O deputado espera um retorno do Palácio do Planalto sobre o assunto para seguir com a tramitação da proposta na Câmara.

    Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou que a tendência é vetar o trecho que trata da taxação de importações se o dispositivo for aprovado pelo Congresso. Ele, porém, se mostrou disposto a negociar.

    Desde a semana passada, Lira tem tentado costurar um acordo para que o governo aceite negociar uma alíquota menor de cobrança para as compras internacionais.

    Hoje, a proposta com maior força na Câmara é uma emenda apresentada pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que busca a “isonomia tributária” a partir da isenção de impostos federais também sobre compras nacionais de até R$ 250. O valor, porém, não agrada o Ministério da Fazenda, que tem se mostrado resistente.

    A discussão dentro do governo é que a taxação pode gerar perda de popularidade para Lula, sobretudo em um momento que a avaliação do governo do presidente tem caído.

    Programa Mover

    O programa Mover prevê incentivos à indústria automotiva. O projeto tem como objetivo apoiar:

    • o desenvolvimento tecnológico;
    • a competitividade global;
    • a descarbonização;
    • a inovação de automóveis, caminhões e autopeças.

    O Mover prevê R$ 19,3 bilhões de créditos financeiros entre 2024 e 2028, que poderão ser usados pelas empresas para abater impostos federais em contrapartida a investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e projetos de produção.

    O projeto também destaca um investimento de R$ 3,5 bilhões em créditos financeiros, já neste ano, para que as empresas invistam em descarbonização.

    O programa também prevê a criação do Fundo Nacional para Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), com recursos voltados a este mercado.

    Ao conceder créditos financeiros às empresas, a iniciativa vai observar nos projetos a geração de produtividade e de competitividade e a promoção de mão-de-obra qualificada.

    Os créditos serão relativos a dispêndios em P&D no país, realocação de unidades industriais, bem como equipamentos e aparelhos.