Padilha minimiza restrição de vistos pelos EUA e defende parcerias de saúde

Mulher e filha do ministro tiveram documentos cancelados há um ano

Helena Prestes, da CNN Brasil*, Larissa Rodrigues, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (22) que a restrição dos Estados Unidos a vistos de autoridades brasileiras — como ocorreu com ele, no ano passado — não tem comprometido a cooperação entre a pasta e empresas norte-americanas.

"Se o governo dos Estados Unidos não permite a entrada do ministro da Saúde lá, as empresas dos Estados Unidos estão vindo para cá porque querem investir aqui", disse Padilha, durante o lançamento da Semana de Vacinação nas Escolas.

Segundo o ministro, o Brasil mantém acordos de cooperação com indústrias dos Estados Unidos e as críticas ao governo do presidente Donald Trump não devem afetar essas parcerias.

"Nós temos mais de 200 anos de cooperação com os Estados Unidos e não são as atitudes absurdas contra a saúde, como ataques contra a Organização Mundial da Saúde, contra a ciência, campanhas contra a vacina e um certo isolamento ao fazer retaliações a autoridades de vários países, que vão impedir que a gente continue cooperando com empresas e instituições dos Estados Unidos", declarou.

Padilha também minimizou os efeitos pessoais da restrição de vistos e disse não acompanhar diretamente o tema. De acordo com ele, a medida acabou atingindo familiares que já possuíam autorização para entrar no país.

No ano passado, o ministro tinha compromissos nos Estados Unidos e precisaria renovar o visto, vencido desde 2024. Dias antes de solicitar a renovação, a esposa e a filha, de 10 anos, tiveram os documentos cancelados pelo governo norte-americano.

A decisão também alcançou servidores federais que participaram, em 2013, da implementação do programa Mais Médicos, criado na gestão da então presidente Dilma Rousseff. Segundo a Casa Branca, médicos cubanos que atuaram no Brasil pelo programa teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão.

Ainda segundo o ministro, o cancelamento dos vistos impediu que sua família visitasse parentes nos Estados Unidos. Ele lembrou que seu pai viveu no país durante o exílio na ditadura militar brasileira.

Caso Ramagem

O Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos divulgou na última segunda-feira (20) uma mensagem na qual diz ter pedido que o delegado da PF (Polícia Federal) Marcelo Ivo deixe o país, após ter feito o monitoramento que levou à prisão de Alexandre Ramagem.

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso", diz a mensagem, publicada na página do X do Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos.

O ex-deputado bolsonarista Alexandre Ramagem foi preso na segunda-feira (13) pelo ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement), o Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos. Inicialmente, o ex-parlamentar foi abordado devido a uma infração de trânsito, porém o político está com a situação irregular no país.

O visto como turista de Ramagem expirou em março. Além disso, ele entrou nos EUA com o seu passaporte diplomático cancelado por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo apurou a CNN Brasil, Ramagem era monitorado por agências de inteligência desde novembro do ano passado. O monitoramento foi terrestre, houve busca pela placa do carro usado pelo ex-diretor da Abin na Flórida e reuniões do oficial de ligação da PF com autoridades estadunidenses.

A PF não pode prender um brasileiro em outro país, mesmo que seja foragido da Justiça e se saiba o paradeiro. O procedimento é reunir informações e repassar para a polícia do país, nesse caso, dos Estados Unidos. Nas primeiras duas semanas de abril, policiais da Flórida intensificaram o apoio e as reuniões com a PF brasileira, por meio de um oficial de ligação.

Ramagem foi solto dois dias após ser preso pelo ICE.

Na última quinta-feira (16), agentes da PF se reuniram com representantes do ICE em Orlando, na Flórida, para esclarecer os motivos da soltura do ex-deputado. O governo brasileiro não foi informado sobre as razões que levaram à saída de Ramagem da prisão.

O encontro foi marcado para que as autoridades brasileiras apresentassem documentos a serem inseridos no processo de Ramagem, que poderia ser alvo de deportação. O objetivo era reforçar o risco de fuga do ex-deputado.

*Sob supervisão de João Ker