Pai de Marielle Franco passa mal após condenação dos irmãos Brazão
"Oito anos de angústia", disse Antônio Francisco Silva ao sair do tribunal
Antônio Francisco Silva, pai de Marielle Franco, revelou nesta quarta-feira (25) que passou mal e teve um pico de pressão após a condenação dos irmãos Brazão pelos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes.
"Tive um pico de pressão alta e não estou me sentindo bem para falar. Peço desculpa. Agradeço a vocês toda a cobertura que fizeram nesses quase oito anos de angústia. Chegamos hoje a uma decisão final. Vocês também fazem parte disso", disse, em conversa com jornalistas.
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão nesta quarta-feira a 76 anos e 3 meses de prisão pela morte de Marielle e Anderson. Eles foram assassinados em 2018.
Ex-conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), Domingos Brazão foi um dos mandantes da morte da vereadora.
Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), ele teria ordenado o assassinato de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas do Rio dominadas por milícias.
Seu irmão, Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho, era vereador da capital fluminense à época do crime. A PGR aponta que ele e Domingos agiram em conjunto na decisão de eliminar Marielle.
A vereadora, então colega de Chiquinho na Alerj (Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro), teria tido embates políticos sobre projetos de regularização urbana e uso do solo com os irmãos.
A acusação da PGR argumentou que ambos integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio, ligada a milícias, grilagem de terras e formação de currais eleitorais.
No Supremo, os dois foram condenados pelos crimes de:
- duplo homicídio;
- tentativa de homicídio; e
- organização criminosa armada.
Além disso, os irmãos se tornarão inelegíveis a partir do trânsito em julgado (quando não cabe mais recurso). Até lá, terão os seus direitos políticos suspensos, incluindo o direito ao voto.
Domingos também perdeu o seu cargo público como conselheiro do TCE-RJ. Chiquinho já havia perdido o seu mandato como deputado federal em abril do ano passado.
Os irmãos continuarão presos preventivamente até o julgamento se tornar definitivo. Domingos está detido no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia, enquanto Chiquinho encontra-se em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, para onde foi transferido depois de comprovar problemas de saúde.


