Para Lula, Bolsonaro deve responder a novo processo: "Traidores da pátria"

Ex-presidente já é réu em investigação sobre suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022

Leticia Martins e Leonardo Ribbeiro, da CNN, São Paulo e Brasília
Compartilhar matéria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à agência de notícias Reuters, nesta quarta-feira (6), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria ser condenado por ser "traidor da pátria".

"Ele está sendo julgado pelos atos dele [referindo-se a tentativa de golpe de Estado]. E, agora, eu acho, que ele deveria ser julgado por mais processos, porque o que ele está fazendo agora, insuflando os Estados Unidos contra o Brasil, causando prejuízo à economia brasileira, causando prejuízo aos trabalhadores brasileiros, ele e o filho dele deveriam ter outro processo e serem condenados como traidores da pátria", disse Lula.

"Não tem precedente na história um presidente da República e um filho que é deputado ir para os Estados Unidos para insuflar o presidente dos Estados Unidos contra o Brasil. Isso nunca existiu", completou.

 

No dia 26 de março, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, tornar réu Bolsonaro e mais sete aliados no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado durante e depois das eleições de 2022.

O ex-presidente foi acusado dos seguintes crimes:

  • Liderar organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima; e
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Para Lula, o ex-presidente e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal que está nos Estados Unidos desde março, são os responsáveis pelo tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros que entrou em vigor nesta quarta-feira (6).

"O deputado federal, filho do ex-presidente, vai aos Estados Unidos com a missão de contar mentira e de insuflar o governo americano contra o Brasil. Essa gente vai ser processada por isso. E essa gente sabe que vai ser julgada e sabe que pode ser condenado", afirmou o petista.

Prisão domiciliar

Na última segunda-feira (4), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decretou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro após ele descumprir medidas cautelares impostas pelo magistrado no dia 18 de julho. Elas foram estabelecidas no âmbito da investigação que apura a suposta atuação do ex-presidente e do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra a soberania nacional.

Dois dias atrás, a PF (Polícia Federal) cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro, em Brasília, e recolheu o celular do ex-presidente, que será submetido à perícia. Ele está proibido de usar o aparelho móvel e as redes sociais. Também só pode receber visitas com autorização da Suprema Corte.