Pedido de condenação de Bolsonaro repercute entre políticos; veja

Flávio Bolsonaro diz que Gonet tomou "altas doses de Diazepam" ao pedir a condenação do ex-presidente; Gleisi Hoffmann fala que não há dúvidas "sobre a responsabilidade total de Jair Bolsonaro e seus cúmplices na trama golpista"

Leticia Martins, da CNN, São Paulo
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Após a PGR (Procuradoria-Geral da República) pedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus por organizar uma tentativa de golpe de estado, parlamentares e ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestaram.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou, na noite de segunda-feira (14), ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), as alegações finais na ação penal contra o "núcleo 1" da trama golpista.

Para Gonet, além de Bolsonaro, devem ser condenados os ex-ministros Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Anderson Torres, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ajudante de ordens Mauro Cid; e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier.

Veja as manifestações

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, expôs, nas redes sociais, após as alegações finais de Paulo Gonet, que "a ação penal no STF caminha para o julgamento, numa firme demonstração de que o Brasil repudia golpes contra o regime democrático, que tanto custou construir".

Já o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março, questionou "a quem interessa" Gonet pedir a condenação de seu pai pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência ou grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Eduardo afirmou ainda, no X, que se Bolsonaro "fizesse parte de alguma quadrilha o PGR Gonet não pediria sua condenação".

Para o ministro do desenvolvimento agrário e agricultura familiar, Paulo Teixeira, a decisão da PGR "não só faz jus aos autos do processo, repletos de provas, como reafirma a força das nossas instituições".

O outro filho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escreveu nas redes sociais que Paulo Gonet tomou "altas doses de Diazepam" ao tomar a decisão das condenações.

"A democracia foi sequestrada no Brasil e vamos lutar para resgatá-la! Isso está muito acima de Bolsonaro ou da direita. Diz respeito à liberdade e ao futuro do nosso Brasil!", acrescentou o senador.

O líder do governo Lula na Câmara, deputado federal José Guimarães (PT-CE), disse no X que "as investigações e prováveis condenações dos criminosos demonstram que nossa democracia e nossa soberania são sólidas e inegociáveis!".

Enquanto isso, o líder do Partido Liberal na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ironizou que "uma suposta trama golpista" é motivo pra "condenar o melhor e mais honesto presidente  da República que o Brasil conheceu".

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) escreveu no X que a PGR "pede 43 anos de prisão para Bolsonaro, por “tentativa de golpe” — sem arma, sem ordem, sem provas".

Já Guilherme Boulos (PSOL-SP), também deputado federal, elogiou a alegação da PGR sobre Jair Bolsonaro e afirmou: "Que a Justiça seja feita".