Perdeu a CPI da Pandemia? Veja os principais momentos da semana

Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa; Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência; e Carlos Murillo, da Pfizer, depuseram

Raphael Florêncio, da CNN, em São Paulo

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A CPI da Pandemia no Senado entrou na sua segunda semana de oitivas, com depoimentos que marcaram um aumento da tensão entre governo e oposição e o início da investigação sobre a compra das vacinas contra a Covid-19

A comissão foi instalada no Senado para apurar “ações e omissões” do governo federal no enfrentamento da pandemia, bem como a distribuição de verbas federais em estados e municípios.

Prestaram depoimento à CPI nesta semana: o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, na terça-feira (11); Fabio Wajngarten, ex-secretário especial de Comunicação da Presidência da República, na quarta-feira (12); e Carlos Murillo, presidente da Pfizer na América Latina, na quinta-feira (13).

Em seu depoimento, Antonio Barra Torres afirmou não compactuar com o comparecimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em aglomerações e revelou que foi contrário a uma mobilização pela alteração da bula da cloroquina — que formalizaria a indicação do medicamento no tratamento da Covid-19, mesmo sem nenhuma evidência científica de sua eficácia.

“Quando houve uma proposta de uma pessoa física de fazer isso, causou-me uma reação um pouco mais brusca, falei ‘isso não tem cabimento, não pode’. E a reunião nem durou muito mais depois disso. Eu não tenho a informação de quem teve a ideia. A doutora (Nise Yamaguchi) de fato perguntou dessa possibilidade e pareceu estar mobilizada”, afirmou Barra Torres. 

Presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo (E), é ouvido na CPI
Presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo (E), é ouvido na CPI da Pandemia
Foto: Jefferson Rudy – 13.mai.2020/Agência Senado

O depoimento do ex-secretário de comunicação do governo, Fabio Wajngarten elevou a temperatura da CPI da Pandemia na quarta-feira (12), ao revelar que uma carta proposta da farmacêutica pfizer demorou mais de dois meses para ser respondida pelo Ministério da Saúde.

Apesar de ter apontado a pasta como incompetente em uma entrevista à revista “Veja”, o ex-secretário mudou o tom e poupou Pazuello. Por essa razão, foi acusado de mentir à comissão, sendo inclusive ameaçado de prisão pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL).

Na quinta-feira (13), foi a vez do presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, comparecer à comissão. Ele revelou que a empresa apresentou três ofertas de vacinas em agosto, cujo montante poderia chegar a 70 milhões de doses, a serem distribuídas a partir de dezembro de 2020. E que as propostas não foram respondidas pelo governo.

“O governo do Brasil não rejeitou, mas tampouco aceitou a oferta. Não tivemos resposta positiva nem negativa”, disse o CEO da Pfizer, informando também que o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos), participou de uma reunião com representantes da empresa em novembro. Além dele, também esteve no encontro o assessor especial da Presidência, Filipe Martins.

Publicado por Guilherme Venaglia

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