PF indicia prefeito afastado de São Bernardo do Campo e vereadores

Marcelo Lima Fernandes (Podemos) foi alvo de operação que apura corrupção na prefeitura na semana passada

Elijonas Maia, da CNN, Brasília
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A PF (Polícia Federal) indiciou o prefeito afastado de São Bernardo do Campo, Marcelo de Lima Fernandes (Podemos). Segundo o indiciamento, ele faz parte do “núcleo político” que teria organizado um esquema de corrupção na prefeitura durante três anos.

“Nesse sentido, a investigação desvendou uma série de comunicações e ações que delineiam a estrutura desse núcleo político e seu controle financeiro”, apontam os investigadores.

A PF também indiciou outros dois agentes políticos municipais: Danilo Lima de Ramos, presidente da Câmara Municipal, também afastado, e o vereador Ary José de Oliveira. O indiciamento aponta que eles fazem parte do mesmo núcleo.

“Aprofundando a análise da rede de movimentação financeira ilícita analisada, a investigação revela a atuação de um núcleo de agentes políticos, cujas ações e conexões com o operador financeiro lançam luz sobre um esquema de desvio de recursos públicos”, detalha o documento da investigação.

Esse operador financeiro, diz a PF, era um agente central na arrecadação e distribuição de dinheiro em espécie, que mantinha uma vasta rede de contatos, incluindo vereadores, secretários, servidores e empresários, cujas interações eram frequentemente dissimuladas por meio de códigos e apelidos, dificultando a identificação imediata dos envolvidos.

No mês passado, durante um cumprimento de mandado de prisão, a PF apreendeu R$ 14 milhões em espécie — entre reais e dólares estadunidenses — na casa dele. Esse foi o ponto de partida da investigação.

O indiciamento foi feito pela PF na noite de sexta-feira (15), um dia após a operação contra eles. Indiciamento significa que os investigadores veem elementos de crimes com base nas provas analisadas, e oferece o caso para se tornar uma ação penal. Com base no documento, o Ministério Público de São Paulo, que também faz parte da investigação, denunciou o núcleo político nessa segunda-feira (18).

Além do prefeito afastado, o MPSP denunciou Danilo Lima de Ramos, Ary José de Oliveira, e Paulo Iran Paulino Costa, o operador da organização.

Segundo a Procuradoria-Geral de Justiça, o esquema criminoso funcionou entre 2022 e a semana passada, quando houve a deflagração de uma operação da Polícia Federal contra os investigados. O caso apura fraudes em contratos públicos e no desvio de recursos por meio de empresas com vínculos formais com a Prefeitura de São Bernardo do Campo e a Fundação ABC.

Na denúncia, o MPSP requereu a condenação dos acusados pelos crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, além da perda definitiva de cargos públicos. Também foi solicitado ao Tribunal de Justiça que seja fixado o valor de R$ 16,9 milhões como reparação dos danos causados à Fazenda Pública municipal.

A advogada Mônica Maia, que defende Ary José de Oliveira, disse à CNN que não há nenhum tipo de prova contra seu cliente. “O que tem é uma conversa entre os envolvidos que citam o nome ‘Ary’. Não cita que é ele. Ele tem quase 40 anos de vida pública e nunca se envolveu em nenhum escândalo. Tem vida simples, mora na mesma casa há quase 50 anos. Tem sido desumano contra a imagem dele, até pela idade, com 74 anos”, declarou.

A defesa de Danilo Lima disse que irá se manifestar apenas no processo.

A CNN busca a defesa dos demais indiciados. No dia da operação, em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que "irá colaborar com todas as informações necessárias em relação ao caso e que a gestão municipal é a principal interessada para que tudo seja devidamente apurado. Reforçamos que o episódio não afeta os serviços na cidade".