PF vai investigar uso de programa secreto da Abin, diz Dino

Sistema secreto monitorava até 10 mil proprietários de celulares por ano

Elijonas Maia e Emanuelle Leones, da CNN, Brasília
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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse na tarde desta quarta-feira (15) que a Polícia Federal vai investigar o uso do programa secreto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), entre 2018 e 2021.

“Eu vou determinar hoje à Polícia Federal a abertura de uma investigação, em relação a essa denúncia sobre a Abin, porque nós tivemos a comprovação do uso indevido de equipamentos. Na verdade, são duas situações, uma relativa à Receita Federal – que já há um inquérito instaurado - e a outra é essa relativa à Abin”, declarou Dino.

A CNN apurou que o inquérito deve ficar na sede da Polícia Federal, em Brasília, mas ainda sem data de abertura ou delegado designado.

Espionagem

A Abin utilizou durante quase quatro anos um sistema secreto para monitorar até 10 mil proprietários de celulares a cada doze meses.

As informações foram reveladas pelo jornal “O Globo” e confirmadas pela agência.

Chamada “FirstMile”, a ferramenta solicitava que fosse digitado o número do contato e, a partir disso, poderia ser acompanhado em um mapa, com as redes 2G, 3G e 4G, a última localização do dono do aparelho.

O programa permitia que fosse rastreado o paradeiro de alguém com os dados que eram transferidos do celular para torres de telecomunicações instaladas em diferentes regiões. Com essas informações, era possível ver o histórico de deslocamentos e criar “alertas em tempo real” de movimentações em diferentes endereços.

Procurada pela CNN, a Abin explicou que “o contrato 567/2018, de caráter sigiloso, teve início em 26 de dezembro de 2018 e foi encerrado em 8 de maio de 2021.”