PGR é contra reconhecimento de vínculo empregatício entre motoristas e apps

Sob relatoria de Edson Fachin, caso será analisado pelo plenário do STF na próxima quarta (1)

Gabriela Boechat, da CNN, Brasília
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A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou na segunda-feira (29) contra o reconhecimento de vínculo empregatício entre motoristas de aplicativo e empresas do setor, como a Uber. 

O caso será julgado nesta quarta-feira (1º) pelo plenário do STF (Supremo Tribunal Federal).  

A decisão terá repercussão geral, ou seja, vai definir uma tese que deverá ser aplicada por todos os tribunais em processos semelhantes. 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, usou decisões anteriores do Supremo para defender sua posição. Segundo ele, a Constituição permite diferentes formas de contratação além da CLT. 

Gonet lembrou que o STF já decidiu que a Constituição não obriga um modelo único de emprego, não impede empresas de adotarem estratégias flexíveis nem proíbe a terceirização.  

Ele também citou votos de ministros em casos parecidos, nos quais o STF afastou a existência de vínculo trabalhista entre trabalhadores e plataformas digitais. 

O processo em análise foi apresentado pela Uber depois que o TST (Tribunal Superior do Trabalho) reconheceu o vínculo empregatício de um motorista com a empresa.   

Para Gonet, porém, a decisão do Tribunal os entendimentos prévios do STF e fere o princípio da livre iniciativa. 

O relator da ação é o ministro Edson Fachin, atual presidente do STF, que já realizou uma audiência pública sobre o tema em dezembro do ano passado.  

Mais de 50 especialistas e representantes da sociedade civil participaram, discutindo questões como o controle por algoritmos, a dependência dos motoristas em relação às plataformas e os efeitos da tecnologia nas relações de trabalho.