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    PGR não pode fazer política nem com a caneta nem com a gaveta, diz Gonet a aliados

    Indicado para a PGR tem defendido a aliados pacificação interna e atuação legalista

    Paulo Gonet foi indicado para ser o novo procurador-geral da República
    Paulo Gonet foi indicado para ser o novo procurador-geral da República Alejandro Zambrana/Secom/TSE

    Caio Junqueirada CNN

    São Paulo

    Indicado para a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet tem dito a aliados que “o PGR não pode fazer política nem com a caneta nem com a gaveta” e defendido a pacificação do órgão após sucessivas gestões envolvidas em polêmicas.

    Apenas nos últimos dez anos, a PGR teve à frente:

    • Rodrigo Janot, que comandou a Operação Lava Jato;
    • Raquel Dodge, considerada internamente alguém que priorizou em demasia a área de direitos humanos em detrimento de outras;
    • e Augusto Aras, visto como alguém que se aproximou demais do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Do ponto de vista externo, seu plano para pacificação é manter a linha legalista que ele e seus aliados consideram que ele seguiu ao longo de toda a carreira.

    A frase de que “o procurador-geral não pode fazer política nem com a caneta nem com a gaveta”, para seus interlocutores, é uma clara sinalização de que ele não pretende usar a caneta de forma exagerada como Rodrigo Janot na Lava Jato nem mais contida como Aras na era Jair Bolsonaro.

    Nesse sentido, nos casos que envolvem por exemplo o ex-presidente Jair Bolsonaro e bolsonaristas — como a delação de Mauro Cid e o julgamento dos atos criminosos de 8 de janeiro –, Gonet pretende atuar em conformidade com a lei e os fatos.

    Não há, portanto, compromisso prévio de condenação ou de absolvição, ainda que seus mais relevantes padrinhos na indicação, Gilmar Mendes e, em especial, Alexandre de Moraes, sejam críticos do ex-presidente e de seus apoiadores.

    Caminho para pacificação, segundo Gonet

    Já sob a ótica interna, o plano que Gonet tem dito a interlocutores como o caminho para pacificação é o de privilegiar todas as áreas internas, sem que haja sobreposição de uma sobre a outra.

    Ele tem dito ter a leitura se que a carta de atribuições constitucionais do Ministério Público é plural e deve ser atendida sob todos os eixos, do ambiental ao criminal, dos direitos humanos ao combate à corrupção.

    Sem auxílio em conversas

    O indicado para a PGR disse a aliado que não pretendia contradar nenhum serviço para ajudá-lo a intermediar as conversas com os senadores que irão sabatiná-lo. Quem o está ajudando a marcar as agendas é a assessoria parlamentar da PGR e ele já disse a aliados que não pretende sequer fazer um media training, algo comum nessas ocasiões.

    Muito embora o Palácio do Planalto já tenha lhe sinalizado ajuda na articulação para sua aprovação, Gonet aposta sobretudo nas relações que cultivou ao longo de mais de quarenta anos morando em Brasília. Por esse motivo ele rejeita a ideia de que sua indicação se deve apenas e tão somente aos dois ministros do STF. Na sua visão, decorre principalmente desses laços políticos construídos nessas quatro décadas.

    Gonet nasceu no Rio de Janeiro, mas se mudou ainda criança para a capital federal. Seus interlocutores dizem que na lista de apoiadores que ajudaram na indicação constam as demais cortes superiores, ministros de estado e parlamentares.

    VÍDEO – Análise: As implicações políticas da indicação de Gonet para a PGR