PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro por coação a ministros do STF

Paulo Gonet afirma que deputado articulou sanções e pressões nos EUA para tentar interferir em ações do golpe no Supremo; Moraes determinou a Defensoria Pública apresente alegações em 15 dias

Fernanda Fonseca, Brasília
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A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu nesta segunda-feira (11) a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo, em ação penal que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal).

Nas alegações finais enviadas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que Eduardo atuou de forma “continuada” para constranger ministros da Corte e interferir no andamento das ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

"As condutas criminosas estruturaram-se em torno da ameaça de obtenção de sanções estrangeiras, significativamente graves, tanto para os Ministros do Supremo Tribunal Federal como para o Brasil – algumas delas efetivamente aplicadas, após a mobilização de agentes norte-americanos com poder de impor gravames a cidadãos brasileiros", disse Gonet na manifestação

Segundo a PGR, o ex-parlamentar articulou nos Estados Unidos medidas de pressão internacional contra integrantes do Supremo, incluindo sanções econômicas e diplomáticas, com o objetivo de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pouco depois da manifestação da PGR, Moraes abriu prazo de 15 dias para que a DPU (Defensoria Pública da União), responsável pela defesa de Eduardo no processo, apresente as alegações finais.

Eduardo réu no STF

Primeira Turma do STF aceitou em novembro do ano passado, denúncia apresentada pela PGR contra Eduardo. Votaram pelo recebimento da acusação os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Depois, em fevereiro, o Supremo formalizou a abertura da ação penal.

A denúncia foi apresentada no âmbito do inquérito em que Bolsonaro também foi indiciado pela PF (Polícia Federal). O procurador-geral da República, no entanto, não denunciou o ex-presidente nesse caso. Bolsonaro já foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.