PGR pede manutenção de prisão preventiva de Braga Netto

Defesa do general havia feito pedido de revogação de prisão com base em medidas cautelares de Bolsonaro

Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou contra o pedido da defesa do general Walter Braga Netto, solicitando a manutenção da prisão preventiva. O caso será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A defesa do general tinha pedido a revogação da prisão ao comparar a situação de Braga Netto com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre medidas cautelares impostas por Moraes, com base no princípio da isonomia.

Bolsonaro e Braga Netto são réus no Supremo por tentativa de golpe de Estado e compõem o "núcleo 1", considerado o principal da trama golpista.

Segundo a PGR, a argumentação da defesa não é suficiente para revogar a prisão do general. Braga Netto está preso desde dezembro do ano passado sob suspeita de estar interferindo nas investigações.

Na manifestação protocolada nessa terça-feira (29) no STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda justificou que o general Mario Fernandes confessou a autoria do chamado "Plano Punhal Verde e Amarelo", o que reforça os crimes que são acusados.

"As afirmações confirmam a hipótese acusatória e, se interpretadas à luz de todo o contexto probatório, robustecem a necessidade de manutenção da tutela cautelar em desfavor de indivíduos denunciados como protagonistas do projeto golpista", disse Gonet.

Conforme o procurador-geral, apenas a comparação pelo caso de Bolsonaro não é suficiente para a modificação da preventiva. "O mero apontamento de distinções entre as limitações fixadas, assim, não basta para modificar a decisão em vigor", explicou.

Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica desde 18 de julho, quando foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal).

O ex-presidente é investigado pelos crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional.

Além disso, o ex-presidente precisa ficar em recolhimento domiciliar, todos os dias, das 19h às 7h e nos finais de semana. Também está proibido de se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros (não podendo aproximar-se de embaixadas) e com os outros réus e investigados.

Bolsonaro não pode fazer uso de redes sociais e está proibido de ter contato com seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

O filho do ex-presidente também é investigado no Supremo por atentado à soberania nacional.