PL faz ofensiva por CPI do Master ciente de que chance para avanço é mínima

Integrantes do partido admitem dificuldade, mas avaliam que discurso ajuda a amenizar estrago gerado por vazamento de conversa do senador com Vorcaro

Luciana Amaral, da CNN Brasil, Brasília
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O PL (Partido Liberal) decidiu voltar com a ofensiva em defesa da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ou CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Master, mesmo ciente das baixas probabilidades de que ela saia do papel.

Os próprios membros da direita admitem muitas dificuldades em convencer a cúpula do Congresso a abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito a cinco meses das eleições. Mas a avaliação é de que o PL transmitirá a mensagem de que “fez sua parte de cobrar” pelo colegiado.

O presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já promoveu sessão conjunta do Congresso em que poderia ter lido o requerimento de criação da comissão mista, etapa necessária para seu andamento, mas não o fez.

A pauta única foi a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria, derrubado pelos parlamentares.

Na época, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) não insistiram mais tanto na CPMI, vista por muitos como natimorta. No entanto, agora, diante das conversas reveladas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para integrantes do partido, esta é uma forma de demonstrar aos eleitores que não teriam nada a temer em relação à crise que envolve o Banco Master.

A instalação da CPMI ou CPI — quando só do Senado ou da Câmara — foi defendida por Flávio em vídeo nesta quarta (13) ao tentar se explicar perante a cobrança de dinheiro a Vorcaro — de que seria a captação de recursos privados para a conclusão do filme sobre a história do pai, Jair Bolsonaro (PL). Portanto, já é uma estratégia aplicada por ele.

Ainda para aliados de Flávio, a expectativa é de que uma eventual CPMI pudesse atingir também o PT, especialmente em relação a negócios na Bahia por conta de um ex-sócio de Vorcaro.

Nas últimas semanas, parte dos petistas também voltou a defender a instalação de CPMI/CPI sobre o Master. No entanto, nada andou, na prática.

Nos bastidores, caciques partidários têm dúvidas do quanto uma comissão a essa altura realmente seria produtiva, em meio à continuidade das investigações pela Polícia Federal e às dificuldades de se conseguir realizar depoimentos de convocados, que têm conseguido habeas corpus no Supremo.

Para muitos, uma CPMI serviria apenas para reforçar palanques eleitorais, sem resultados efetivos fora da esfera política.