Posição de poder não garante blindagem, diz família de Marielle e Anderson
Às vésperas do julgamento dos mandantes do crime, Anielle Franco defendeu a necessidade de o Brasil aprimorar suas políticas de segurança publica

Às vésperas do início do julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que a sessão desta terça-feira (24) representa mais do que uma resposta individual à família, mas uma “resposta à democracia”.
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começa a analisar nesta terça a responsabilidade dos cinco réus apontados como mandantes e articuladores do crime.
De acordo com ela e com outros familiares das vítimas, o julgamento deve servir como exemplo de que a justiça também deve chegar no alto escalão.
“Mostra que posições institucionais não servem de blindagem para o cometimento de crimes. Não mata somente quem puxa o gatilho", afirmou a viúva de Anderson Gomes, Ágatha Arnaus.
Anielle também destacou o significado simbólico do caso. “Acharam de verdade que o corpo da minha irmã seria descartável, como pensam sobre muitos corpos nesse país, principalmente negros e periféricos. Estamos aqui pela continuidade do legado e da memória de Marielle.”
Segundo ela, porém, o que a família vive hoje é uma exceção. "Não deveria ser, mas é”, disse. A ministra defendeu a necessidade de o Brasil aprimorar suas políticas de segurança pública, principalmente no Rio de Janeiro.
"O caso da Marielle é um caso emblemático que se relaciona com o mundo obscuro entre a politica, a polícia e o crime organizado", disse,
A mãe da vereadora, Marinete da Silva, afirmou que o momento é de dor, mas também de esperança. “É um momento difícil, mas também de muita esperança diante de tudo que vivemos nesses últimos oito anos. É hora de termos uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie”, declarou.
O pai de Marielle, Antonio Francisco, disse confiar no julgamento. “Hoje vai ser um dia primordial para que esses cinco indivíduos que sentarão no banco dos réus sejam julgados. […] Confio cegamente na Primeira Turma do STF, que são juízes com grande saber jurídico e não vão se deixar levar pela falácia dos advogados”, afirmou.
A filha da vereadora resumiu a expectativa da família: “É um dia que a gente sonhava que acontecesse nesses últimos oito anos. Que amanhã a gente saia com a vitória.”
O julgamento marca a etapa em que o STF analisa a responsabilidade dos acusados de planejar o crime ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.
Segundo a acusação, o crime teria sido motivado por disputas envolvendo a atuação de milícias e interesses fundiários no Rio de Janeiro. Lessa afirmou terem sido oferecidos US$ 10 milhões em troca da execução da vereadora.
Todos os réus estão presos preventivamente. Eles negam as acusações, afirmam não conhecer Ronnie Lessa e dizem ser vítimas de injustiça.


