"Presenciei os fatos, mas não participei", diz Cid durante interrogatório

STF começou a realizar, nesta segunda (9), os interrogatórios dos réus do chamado "núcleo crucial" da ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado

Leticia Martins e Davi Vittorazzi, da CNN
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Ao ser questionado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra si era verdadeira, o tenente-coronel Mauro Cid respondeu que presenciou os fatos, mas que não participou deles.

"Eu presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles", disse Cid no início do interrogatório nesta segunda-feira (9).

Cid fechou o acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal em 2023 e prestou longos depoimentos sobre plano de golpe. Sua delação é considerada peça-chave na denúncia da PGR.

Na delação, o tenente-coronel contou sobre uma reunião na Asa Sul, bairro nobre de Brasília, para discutir a "conjuntura do país", em novembro de 2022.

Nela, se falou a respeito de "manifestações" e os presentes ventilaram ideias, como "mobilizar os caminhoneiros".

Interrogatório dos réus

O STF realiza os interrogatórios dos réus do chamado "núcleo crucial" da ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. Ao todo, serão ouvidos oito réus:

  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
  • Alexandre Ramagem, deputado e ex-chefe da Abin;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do GSI;
  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • e Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice de Bolsonaro na eleição em 2022.

A Primeira Turma do STF reservou os cinco dias desta semana para os interrogatórios.