Prisão de cunhado de Vorcaro era imprescindível, diz Toffoli

Ministro deu 24 horas para diretor-geral explicar por que mandado não foi cumprindo na terça-feira, conforme decisão da Suprema Corte

Teo Cury, Matheus Teixeira, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que a prisão do empresário Fabiano Zettel é “imprescindível” para o prosseguimento das investigações sobre irregularidades do Banco Master.

Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira que teve as atividades encerradas após o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial em meio à investigação sobre possível fraude de R$ 12,2 bilhões em operação de venda para o Banco Regional de Brasília.

Toffoli afirma que a detenção temporária de Vettel “está justificada em fatos contemporâneos e mostra-se adequada à gravidade concreta dos crimes investigados, às circunstâncias do fato e às condições pessoais referidas nos autos”.

O ministro criticou a demora da Polícia Federal em realizar a operação e determinou que os bens apreendidos devem ficar lacrados na sede do STF.

No pedido de prisão, a PF cita que Zettel tinha uma passagem marcada para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para a madrugada desta quarta-feira, 14.

“O embarque do investigado constitui oportunidade única a propiciar a obtenção de elementos que corroborem, ainda mais, sua participação nos delitos investigados, além da materialidade de outros delitos sobre os quais sobre ele já recaem suspeitas de autoria”.

A CNN Brasil questionou a Polícia Federal a respeito das afirmações de Dias Toffoli, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.

Entenda a operação 

A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã desta quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras no Banco Master.

Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Eles foram autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Além de Daniel Vorcaro, dono do Banco, parentes do banqueiro e empresários ligados a fundos de investimento também foram alvos da operação e serão investigados pelos crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercados e lavagem de capitais.

A operação resultou no sequestro e bloqueio de bens que superam R$ 5,7 bilhões, incluindo relógios, carros de luxo, um revólver e dinheiro vivo.

De acordo com a PF, as medidas foram necessárias para interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações da primeira fase da Operação, deflagrada em novembro de 2025.

A polícia investiga, entre outros pontos, possíveis operações financeiras fraudulentas entre o Banco Master e fundos administrados pela Reag Trust, uma empresa suspeita de ter ligação com esquemas de lavagem de dinheiro apurados na operação Carbono Oculto, que investiga a relação entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas financeiras.